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Economia

ONU alerta países africanos sobre aumento da dívida face ao PIB

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A Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) considera que o aumento da dívida face ao PIB de 57% em 2019, para 66% este ano, está a dificultar a recuperação das economias africanas.

Para agência económica das Nações Unidas, a pandemia de Covid-19, a guerra da Rússia e a Ucrânia está a ter um impacto negativo no desempenho orçamental dos países africanos, onde o rácio da dívida face ao PIB aumentou de 57% em 2019 para 66% em 2022, devido à despesa em saúde e aos custos sociais que os países enfrentaram no seguimento do confinamento.

Para o director da divisão de Macroeconomia e Governação, Adam Elhiraika, o enfraquecimento das moedas nacionais e a crescente dívida externa, “a crise global multifacetada exacerbou o sobre-endividamento em vários países africanos”, que precisam, assim, de mobilizar financiamento inovador para desenvolverem programas de desenvolvimento e de gestão da dívida.

Ainda de acordo com a agência, nos países africanos importadores de petróleo, o rácio da dívida já vai nos 73% do PIB “devido ao facto de os custos energéticos terem disparado por causa da crise na Ucrânia”, que teve entre as principais consequências económicas a redução do fornecimento de cereais e o encarecimento do petróleo e gás para os países africanos.

Para o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), publicado recentemente sobre a África Subsaariana, recomenda ao G20 renovação da Iniciativa para a Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI, na sigla em inglês) e a UNECA salienta que dos 73 países elegíveis para esta iniciativa, 52% estão em África, com 48 países a participarem na ação que conseguiu suspender pagamentos no valor de quase 13 mil milhões de dólares (13,1 mil milhões de euros) entre Maio de 2020 e Dezembro de 2021.

Por outro lado, a UNECA lançou no ano passado o Mecanismo de Liquidez e Sustentabilidade para reduzir os prémios de liquidez e melhorar o acesso dos países aos mercados internacionais da dívida através de um mercado de recompra de títulos.

“Este mecanismo tem o potencial de poupar aos países africanos cerca de 11 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos em custos de endividamento, e já atraiu interesse dos investidores internacionais, tendo um potencial de poupança de até 30 mil milhões de dólares no primeiro ano”, lê-se no documento.

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