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ONG critica actuação das forças policiais durante manifestação

Redação

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A organização não-governamental (ONG) de direitos humanos Human Rights Watch criticou, nesta sexta-feira, 13, a actuação das forças policiais angolanas, nas manifestações por melhores condições de vida, defendendo uma investigação minuciosa aos alegados tiros da polícia contra os manifestantes.

“Os disparos da polícia contra manifestantes pacíficos são vergonhosos, além de criminosos”, disse a analista sénior da Human Rights Watch (HRW) para ÁfricaZenaida Machada, citada num comunicado da ONG, no qual defende que “o Governo deve investigar minuciosamente o uso de força letal desnecessária pela polícia e responsabilizar os culpados”.

Na nota, a HRW referiu que “a polícia angolana usou balas de arma de fogo, gás lacrimogéneo e cães para dispersar um protesto pacífico contra o Governo, que causou a morte de um manifestante na capital Luanda, em 11 de Novembro de 2020″.

ONG apontou que “a polícia espancou severamente dois reconhecidos activistasNito Alves e Laurinda Gouveia, ambos em estado crítico, e prendeu arbitrariamente um terceiro activistaLuaty Beirão”.

A manifestação, promovida pelos mesmos organizadores que já tinham visto um protesto reprimido pela polícia no mês passado, pretendia reclamar melhores condições de vida e a realização das primeiras eleições autárquicas em 2021, depois de terem sido adiadas este ano devido à covid-19.

Mas a concentração não chegou a acontecer devido às barreiras policiais colocadas nos acessos à cidade, com milhares de polícias a dispersar os jovens com recurso a gás lacrimogéneo e canhões de água.

A polícia garantiu não ter usado meios letais, mas manifestantes alegam que houve uso de munições reais.

“O Governo do presidente João Lourenço foi saudado como uma nova era na promoção e respeito pelos direitos humanos em Angola, com melhorias notáveis na liberdade de expressão e reunião pacífica”, salientou a HRW.

“Mas a situação mudou dramaticamente em Outubro, quando o Presidente, como parte das medidas para controlar a disseminação da covid-19, emitiu um decreto proibindo todas as reuniões públicas de mais de cinco pessoas, pouco antes de uma manifestação planeada por activistas e pelo principal partido de oposição, UNITA“, acrescentou o comunicado.

Para a activista da HRW, “o Governo angolano não deve usar as medidas contra a covid-19 como desculpa para o policiamento excessivo e a repressão violenta de protestos pacíficos”.

A analista da ONG de defesa dos direitos humanos concluiu que o executivo liderado pelo presidente João Lourenço “deve tomar medidas concretas contra aqueles que cometem abusos contra manifestantes pacíficos”.

“Actuação policial foi legítima”

O porta-voz do comando provincial de Luanda da polícia afastou ontem qualquer responsabilidade dos agentes na morte do jovem durante a manifestação de quarta-feira passada na capital angolana, reiterando que a actuação policial foi “legal e legítima”.

jovem não morreu na manifestação e essas foram as declarações dos médicos sobre a morte do jovem, logo a morte do jovem não teve nada a ver com a polícia”, disse hoje Nestor Goubel.

De acordo com aquele oficial, a polícia, na quarta-feira, agiu para “travar uma manifestação que não reuniu os pressupostos necessários para sua realização”, reforçando que a corporação “não se usou munições reais”.

Nestor Goubel garantiu que não será aberto um inquérito à actuação policial.

A polícia agiu com o “uso de força proporcional” neste tipo de ocasiões e “actuou de forma legal, legítima e habitual nessas situações”, afirmou.

Por Lusa

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