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Sociedade

Ondas de assaltos aumentam venda de “tala” em Luanda

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A venda de minas tradicionais no mercado dos Kwanzas ganhou, nos últimos dias, mais clientes, por conta dos assaltos que muitos cidadãos têm estado a sofrer em Luanda, segundo argumentos das que comercializam a suposta mina tradicional,  disse, ao Correio da Kianda, uma comerciante, naquele mercado.

Apontado como um dos mercados informais de maior venda de medicamentos tradicionais, a “tala”, também denominada como mina tradicional, de acordo com as comerciantes, está a ser atribuída de forma unânime pelas vendedoras do mercado dos Kwanzas, entre os produtos mais procurados, a cada dia que passa, pelos clientes que por aquele sector, do referido mercado informal acorrem.

Os despedimentos nas empresas, alegadamente injustos, foram apontados também pelas vendedoras do mercado dos Kwanzas, como argumento que os clientes mais esgrimem, quando questionados, no momento da compra.

Com preços que vão dos quinhentos aos dois mil kwanzas, ao Correio da Kianda, Isabel Fragoso revelou, que a par da “tala”, o “katchilinguitchimue”, nome de um medicamento da língua Umbundu que, traduzido para português, significa “não faz nada”, tem sido o segundo mais procurado, inclusive por supostos marimbondos com processos na PGR, que procuram, formas de serem ilibados dos crimes de que são acusados.

Por força das denúncias da comercialização da “tala” no mercado dos Kwanzas, uma doença que não encontra explicação na medicina convencional, as vendedoras afirmam que  têm estado a se transferir para o mercado do 30, onde segundo as mesmas, têm encontrado mais liberdade para a sua comercialização, em detrimento ao mercado dos Kwanzas, onde a Polícia tem estado a “estragar o negócio”.

Diferente do mercado dos Kwanzas, no mercado informal do 30, segundo apurou o Correio da Kianda, a “tala”, está a ser comercializada a preços que vão dos cinquenta aos quinhentos kwanzas.

A venda da “tala” é feita por meio de códigos ou por indicação de alguém. Segundo as comerciantes, tudo por questões de segurança, por ser um “feitiço” provocador do mal.

Crime 

Sobre o assunto, num texto de análise publicado pelo penalista e oficial da Policia Nacional, Waldemar José, com o título “Sabias que se comprares uma ‘tala’ no mercado dos Kwanzas para matar o teu chefe, podes cumprir uma pena de prisão até 25 anos?” onde esgrime a sua opinião com fundamentos jurídicos sobre o assunto, explica, que as ciências ocultas não têm prevalência no direito positivo criminal, por não se conseguir encontrar indícios e vestígios que possibilitem a comprovação da acção executada pelo seu autor, mas, contudo, avança, algumas acções, resultantes da crença no feiticismo, se forem usados meios insidiosos, bem como alguma dissimulação ou outro meio que torne difícil ou impossível a defesa por parte da vítima, podem ser considerados como HOMICÍDIO QUALIFICADO EM RAZÃO DOS MEIOS, nos termos das alíneas a) e b), do número 1), do artigo 148º do código penal.

Conclui no seu texto o também jurista, que a punição vai a penas de 20 a 25 anos, os homicídios cometidos com recurso aos seguintes meios:
a) Veneno ou outro meio insidioso;
b) Dissimulação ou outro meio que torne difícil ou impossível a defesa por parte da vítima;
c) Actos de crueldade ou tortura;
d) Por experiências medico-medicamentosas ou outros meios tecnológicos afins sem o consentimento do paciente”.

Realça, Waldemar José, que o “quimbandeiro” e o especialista em medicina tradicional, sabendo da intenção de matar do seu cliente, mesmo assim, aconselham-no a adquirir tais substâncias (tala), podem ser responsabilizados criminalmente como comparticipantes na consumação do referido crime, na qualidade de cúmplice.

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