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Opinião

Obrigado, Presidente José Eduardo dos Santos

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Por: Kuma Bamba *

O feito que se avizinha sabe à cereja no topo do bolo, fruto de um passado marcado por tempos e momentos tumultuosos e vicissitudes que enfrentaram os senhores jovens como eu, ontem meninos e adolescentes, sem perspectivas ou projectos de vida nenhuns. Não porque era proibido sonhar, mas sim porque não havia como sonhar!

Sou da geração que muito cedo e à volta da fogueira foi obrigada a perceber com os pais, avôs e tios, resgatar dificilmente o país das mãos de quem nunca o devia tomar. 

Sou da geração que aprendeu a ler e a escrever debaixo das árvores e sentados na lata vazia de leite Nido, que cada um transportava de casa para a escola. No meu tempo, no mata-bicho, e não pequeno-almoço, o omelete no pão era o resto de óleo utilizado na fritura do peixe e o leite um canecão de café. Quando o arroz ou o milho torrado com o chá substituíssem o pão, já nos dávamos por felizes e, se as nossas mães nos brindassem com os pastéis de peixe cabuenha ou micates, nos gabávamos junto de amigos e colegas. 

Sou da geração em que assistir desenhos animados Lobo Pateta na TV a preto e branco, através da janela do vizinho, era a melhor prenda do dia. Ir ao cinema para assistir matinée e ver o filme de Bambino e Trinitá, Sandokan, os Quatro Tanquistas e outros mais era um luxo. Novelas como Bem-Amado, Roque Santeiro e Cabocla eram para os adultos.

Na minha geração, o aluno ou estudante utilizava a mesma camisa, camisola, calças ou calções ao longo da semana para ir à escola, o calçado tinha apelidos de viaturas militares como Enjeza, Ural, Gaze, Wazi e “Bica Bidon” entre outros. Andar de carro não era para quem quisesse, mas sim para quem pudesse. Lembra-me de sonhar andar num Lada, Niva, Land Rover, Renault, Mercedes dos anos 80 e Wazi. Porém, o sonho ficava mesmo pelo machimbombo da ETP e depois TCUL, quase sempre abarrotado, já que os táxis, vulgo candongueiros, não existiam.  

Obrigado, Presidente pelas universidades que acolhem milhares de jovens pelo país, os hospitais que, apesar das limitações de quadros, são de referência pelo equipamento e tecnologia de ponta.

Obrigado, Presidente, porque, hoje, a maioria das nossas crianças têm as três refeições por dia e algumas até o lanche, assistem desenhos animados na TV a cores em casa e não através da janela do vizinho. As nossas crianças não utilizam a mesma camisola ao longo da semana para irem à escola, não sabem o que é repartir uma gasosa para três pessoas e, mesmo não havendo festas, têm sempre brinquedos, ao contrário dos que recebíamos de forma aleatória nas escolas. Obrigado Presidente por nos fazer sentir de novo que, mesmo que as nossas palavras não sejam ouvidas, pelo menos são pronunciadas, pós isso nos dá mais força e nos faz crer num futuro melhor.

Obrigado, Presidente por ignorar todos que, no quadro da liberdade de expressão, o julgam, marginalizam, se dirigem a Vossa Excelência sem o mínimo de consideração. A estes, perdoe, Senhor Presidente. 

Descanse, Senhor Presidente, porque ninguém consegue apagar com um simples  corrector as centralidades construídas pelo país, as barragens, as estradas e demais melhorias que dia após dia se multiplicam por esta nossa linda Angola.

Os mesmos que fingem não lhe reconhecer mérito, esquecem-se que Vossa Excelência nunca disse que está tudo bem em Angola, antes pelo contrário, e os registos não nos deixam mentir. Sempre apelou e exigiu dos seus colaboradores mais dedicação para solução dos problemas a bem da população, como disse o saudoso Presidente Agostinho Neto: “O mais importante é resolver os problemas do povo”. O senhor, com a humildade com que nos acostumou, reconheceu haver corrupção no país e alertou para que se combatesse. Sua Excelência nunca mediu esforços para que houvesse mais e melhor educação, saúde, luz, água, saneamento e outras necessidades fundamentais a favor do povo que tanto ama. 

A vossa missão está cumprida. Não tenho dúvidas que, se dependesse única e simplesmente de sua Excelência, Angola seria melhor, mas estou confiante na determinação e firmeza do Presidente eleito em melhorar o que está bem e corrigir o que está mal!

Obrigado, Presidente, porque não há borracha nem existe corrector que apague o vosso legado. Sua Excelência foi, é e será sempre dos maiores exemplos de bom cidadão, bom patriota, não só em Angola, mas em África e quiçá no Mundo.
OBRIGADO ZÉ DÚ!
                                                                                  
* Director da Rádio Escola

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