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Opinião

O rosto visível da democracia popular

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Há cerca de 2.400 anos, no Livro VI da República, o grande filósofo de Atenas, Platão, definiu a “democracia” como regime de governo cuja origem do poder vem do povo. No livro, o sábio acrescenta que, em um governo democrático, todos os cidadãos possuem o mesmo estatuto e têm garantido o direito à participação política.

Assim sendo, Angola, desde Setembro de 1992, tem realizado de forma exemplar e regular eleições, evidenciando, desse modo, os dizeres que sustentam o primeiro parágrafo.

Infelizmente, à medida que os angolanos e os seus líderes consolidam a liberdade, têm surgido vozes contrárias que, após o pleito, realizado, em Agosto de 2022, decidiram, tristemente, reforçar o seu descontentamento junto de um governo democraticamente eleito. Entretanto, nesta altura, a democracia, pelo menos, tinha nome e sobrenome: partidos políticos. João Lourenço, na ocasião, em um exemplo democrático e conciliador, recebeu o líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior. Mas isso, para os que ostentam uma ambição desmedida e irresponsável, não foi suficiente.

Incapazes de derrubar um governo, nas urnas, os descontentes optaram pela revolução digital, abraçando o modelo de luta de rua que, aos poucos, vai sendo experimentada pelo advento da desobediência civil.

Se por um lado, os partidos políticos, fruto da legitimidade do voto, desempenham a competição política por via da Assembleia Nacional, surge, por outro, um movimento de novos representantes do povo que se vão organizando em uma plataforma de democracia popular, embora com os direitos garantidos na Constituição.

Se a liberdade, a qualquer preço, é o único objectivo, é correcto afirmar que, actualmente, há um excesso da mesma que gera também um excesso de facções e uma multiplicidade de perspectivas, muitas das quais cegas por interesses mesquinhos, fomentados por detratores da soberania colectiva.

Alimentar caprichos é das coisas mais natural do mundo. No entanto, fazê-lo, utilizando, de forma imprudente, o conceito de “negação ao Estado”, é errado e pode levar à perdição. Hoje, os grupos de pressão ao poder deram elasticidade à estratégia, aparentemente, discreta, mas exibiram o rosto visível da democracia popular, democracia essa, actualmente, invertida em revolução popular.

Encho o pulmão para afirmar que o movimento, que se está a criar, não dará resultados satisfatórios. Fundamentá-lo como força de pressão converte o equívoco em realidade. Como é possível, por meio das ruas, tirar do poder um presidente democraticamente eleito e investido? Impossível para a nossa realidade que é a normal.

Partindo que, desde os primórdios, se preocupou com o bem-estar de Angola e dos angolanos, o MPLA formou o executivo, após a legitimidade obtida, no pleito de Agosto do ano passado, e continua a exibir confiança nas autoridades e nos angolanos que, dia e noite, lutam por um futuro melhor, não se deixando levar por mensagens de pessoas já abastadas.

Para o bem da nação, a democracia popular ou da desobediência civil, disfarçada de legalidade, não tem e nunca terá lugar. Angola, apesar das dificuldades, continuará a crescer rumo ao desenvolvimento económico e fortalecimento da sua liberdade duramente conseguida.

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