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O que significa “reformular a FPU” na visão de Abel Chivukuvuku?

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Numa definição objectiva, a palavra reformular pode significar “dar nova forma” ou “modificar”, podendo descrever um processo de revisão e/ou aprimoramento. O Bloco Democrático, usando outras palavras, já disse coisa semelhante para o futuro da FPU. Ontem, em conferência de imprensa, Abel Chivukuvuku disse-o muito claramente: “a nova visão [do PRA-JA] é que a FPU seja reformulada”.

“Para nós [PRA-JA], a FPU deve ser mantida, reforçada, reformulada e se possível alargada”. A afirmação é de Abel Chivukuvuku, que passou a estar no centro das atenções da imprensa e do grande público desde que viu legalizado seu Partido de Renascimento Juntos por Angola (PRA-JA), depois de cinco anos de batalha judicial junto do Tribunal Constitucional.

O líder da recém criada organização política fez este comentário em resposta à uma questão a propósito feita pelos jornalistas que acorreram à colectiva de imprensa que juntou os três líderes da Frente Patriótica Unida (FPU), nomeadamente Adalberto Costa Júnior, coordenador-geral; Abel Chivukuvuku, coordenador-adjunto pelo PRA-JA; Filomeno Viera Lopes, coordenador-adjunto pelo BD; e Francisco Viana, pela sociedade civil.

De Chivukuvuku, os jornalistas quiseram saber, entre outras coisas, se agora que o PRA-JA foi legalizado, se deverá largar a FPU, tendo em conta ao que se cogita.

Embora não tivesse sido ainda legalizado, o PRA-JA já era, a seguir a UNITA, a segunda maior força da FPU.

Com a FPU, por via da qual a UNITA incorporou no seu seio militantes do BD e do PRA-JA, o ‘galo negro’ alcançou o seu maior resultado eleitoral de sempre, tendo conseguido eleger 90 deputados à Assembleia Nacional. Até antes de 2022, o maior resultado eleitoral da UNITA havia sido conseguido em 1992, então sob direcção de Jonas Savimbi, o líder fundador da organização, e que conheceu a morte em 2002, na sequência da guerra fratricida.

Entretanto, para muitos, Abel Chivukuvuku e seus seguidores aceitaram fácil a anexação tácita à UNITA por não terem tido outra opção para participar nas eleições-gerais de 2022, tendo em conta as ambições presidenciais de Chivukuvuku.

A referida unidade entre a UNITA, BD e PRA-JA, revelou-se na maior estratégia conseguida até agora pela oposição para alternar ao MPLA do poder.

Os principais actores da FPU estão cientes do feito que conseguiram e que têm às mãos, mas o projecto pode vir a desmoronar na sequência das eleições-gerais previstas para 2027.

É que o Bloco Democrático, se a sua liderança pretender mantê-la, já não pode concorrer às eleições atrelada à UNITA sob pena de ser extinta por força da lei, sendo que o seu único remédio caso queira concorrer junto da UNITA será a transformação da FPU em coligação formalizada pelo Tribunal Constitucional.

Por outro lado, a nível do PRA-JA, embora legalmente ainda pode concorrer anexado à UNITA, pode fazer outras exigências.

Entretanto, a última palavra, de acordo com algumas observações, deverá ser da UNITA, o pulmão da organização.

Falando à imprensa, Abel Chivukuvuku disse que o interesse do PRA-JA é a reformulação da FPU. Numa definição objectiva, a palavra reformular pode significar “dar nova forma” ou “modificar”, podendo descrever um processo de revisão e/ou aprimoramento.

Portanto, talvez para diferentes quadros da UNITA, entre os quais Isaías Samakuva, talvez não quererão ouvir falar de uma possível reformulação da FPU, que a leva a transformação em coligação, o que obrigaria a UNITA a abdicar de suas bandeiras, cores e entoar igualmente outros slogans alheios à sua história.

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