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O que seria de Assange se tivesse lidado com o Dragão Vermelho Chinês?

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Porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China elogiou, na terça-feira, 25, o austríaco Julian Assange, por dar a “conhecer a verdade” ao mundo sobre as práticas militares e de espionagem norte-americanas. Entretanto, tendo em conta os fundamentos de Mao Ning, há uma pergunta que não se quer calar: “o que seria de Assange se ao invés dos norte-americanos e do mundo ocidental (democracias), tivesse lidado com os chineses?”.

O activista Julian Assange, fundador da conhecida plataforma WikiLeaks, é agora, depois de cinco anos de prisão passados no Reino Unido, um homem livre. A devolução à liberdade de Assange resulta de um acordo a que chegou com a Justiça dos Estados Unidos da América, para que o mesmo se declare culpado de actos de espionagem contra o sistema de vida e de segurança de Washington, sendo que em contrapartida, deve ser condenado a cinco anos, um período de prisão já cumprido nas masmorras inglesas.

À soltura, o mundo reagiu com júbilo, sendo que palavras de apreço vieram de todos os lados.

A China, o gigante económico e militar asiático, também não se deixou ficar de fora da festa proporcionada pelo sistema de Estado de Direito funcional.

Através de sua porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, a China elogiou o activista austríaco, por dar a “conhecer a verdade” ao mundo sobre as práticas militares e de espionagem norte-americanas.

“Quero dizer que as informações relevantes divulgadas pela (plataforma) WikiLeaks permitiram à comunidade internacional conhecer melhor os factos e a verdade”, sublinhou Ning, em conferência de imprensa.

Para Pequim, Assange “expôs uma grande quantidade de informação secreta sobre as guerras dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque e revelou também o facto de a CIA levar a cabo todo o tipo de ataques cibernéticos”.

Entretanto, o entusiasmo chinês quanto não só sobretudo pela soltura de Julian Assange, mas pelo que ele divulgou, levanta certos questionamentos sobre o que seria do activista agora com 52 anos de idade, se ao invés dos EUA, e de países ocidentais inclinados para a Democracia e Estado de Direito, tivesse lidado com a China e estado sob controlo de potências nada democráticas e próximas à Pequim?

Os factos demonstram que a China não lida muito bem com contestações populares e/ou posições contrárias ao seu governo.

Por exemplo, em 2014, o então governo da Escócia manifestou o desejo de se tornar um Estado independente do Reino Unido. Houve oposição de diferentes poderes, o Reino não queria acreditar no que ouvia, mas teve de ceder às argumentações apresentadas, tendo em conta que, afinal, é o desejo popular que deve prevalecer, partindo do princípio que, na definição dos Estado, primeiro vem a terra, depois o povo e só a seguir a isso vem o governo.

Portanto, um referendo foi realizado a propósito, mas o desejo do governo foi chumbado nas urnas pela maior dos cidadãos habilitados a votar.

Em Hong Kong, cidade chinesa, estão a ser aprovadas leis que, na perspectiva de diversos observadores da ciência política e estudiosos do direito, representam maiores restrições às liberdades dos cidadãos.

A referida lei foi aprovada com “toda a velocidade” como pediu John Lee, o líder do governo de Hong Kong, como noticiou a CNN.

O responsável sublinhou que o diploma necessário para garantir protecção contra “potencial sabotagem e correntes ocultas que tentam criar problemas”, particularmente “ideias de uma Hong Kong independente”.

Enquanto o pouco de democracia existente em Hong Kong esteja gradualmente a ser apagado pelo governo de Xi Jinping, os mais de 23 milhões de habitantes de Taiwan podem vir a enfrentar algo pior.

A Ilha, pertencente à China continental, há muito que actua como um país independente, mas o governo chinês já fez saber que deverá acabar com a presente realidade, nem que seja por via da força letal.

De referir que, historicamente, a ilha de Taiwan é uma extensão territorial chinesa, tendo passado a actuar de forma independente em 1949, pouco tempo depois de o então governo legítimo da China ter sido derrotado pelo Partido Comunista Chinês (actualmente liderado por Xi Jinping), na sequência de uma guerra civil.

O líder nacionalista e todos os apoiadores derrotados pelos comunistas fugiram para a ilha de Taiwan, onde o general Chiang Kai-shek, cuja organização política (o Kuomintang) veio mais tarde a ser reconhecida como o governo legítimo de toda a China pelas Nações Unidas, desempenhou uma liderança autoritária.

Entretanto, pressionado pela população, diferente dos comunistas que lideram a China Continental, impondo ao povo a sua vontade de partido único e poder centrado numa única figura, o partido Kuomintang, na ilha de Taiwan, viu-se forçado a encetar reformas no sistema político.

A ilha é hoje uma democracia plena e economicamente prospera. Entretanto, para os chineses, isso diz pouco ou quase nada. Como já enunciado, possivelmente a curto e médio prazo, tudo farão para que a ilha seja reunificada, uma situação que a ter lugar, tem potencial para acabar com a democracia aí fervilhante.

As reacções da China pouco flexíveis para com os cidadãos quando em causa estão os interesses das autoridades, e que sublinham ser da Nação, não são de hoje.

Em 1989, e este é um facto que o gigante asiático não gosta que seja recordado, um grupo de manifestantes foi massacrado na praça Tiananmen.

Como recordam diferentes órgãos de comunicação social internacionais, tudo iniciou por volta das dez da noite de 3 de junho e o amanhecer do dia 4 de junho de 1989. O exército chinês foi chamado para dispersar jovens manifestantes.

Ao chegar ao local, o exército atacou os civis. Um número significativo de pessoas foi morta nas ruas de Pequim, sendo que as estimativas variam muito. De trabalhadores que simplesmente andavam pela rua até estudantes que protestavam no centro da capital, pessoas desarmadas foram alvejadas por metralhadoras.

Tanques de guerra manobraram pelas avenidas da cidade, dando tiros na direcção dos manifestantes. Há relatos de que até ambulâncias que tentavam transportar feridos também eram atacadas, e que os hospitais recebiam ordens de não prestar atendimento às vítimas.