Connect with us

Politica

O que será de Angola se Trump vencer as eleições nos EUA?

Published

on

As opções que o Governo angolano tem tomado, no quadro do aprofundamento das relações com os EUA, têm criado alguns ‘irritantes’ com certos países, sobretudo com a China e a Rússia, este último foi o maior defensor do MPLA e do seu Executivo a nível global.

Angola e os Estados Unidos da América (EUA) estão no melhor momento de sua relação bilateral, ao ponto de Luanda ter se tornado na capital africana mais importante para Washington.

Em menos de seis meses, a Casa Branca já mandou para Angola os mais relevantes membros da Administração Biden, desde ligados aos sectores da energia, tecnologia, defesa e segurança, tendo destacado agora o seu secretário de Estado Antony Blinken, que não hesitou em elogiar o rumo que a governação angolana está a seguir.

E já houve inclusive encontro entre os presidentes dos dois países.

Os EUA prometem a Angola uma relação de prosperidade mútua, e estão a aumentar a sua presença no país com investimento em energia limpa, telecomunicações, no Corredor do Lobito – uma via-férrea que liga Angola a República Democrática do Congo e a Zâmbia, um projecto em que os norte-americanos destronaram os chineses.

Além disso, os EUA estão a elevar o nível de cooperação militar e de inteligência.

Por sua vez, os angolanos, na arena internacional, adoptaram uma postura pró-ocidental, passando a alinhar com as democracias liberais no sentido de voto nas Nações Unidas.

‘Irritante’ diplomático

A China, o maior credor de Angola, e a única potência económica que estendeu a mão ao país numa altura em que pouco tinha para a sua reconstrução, tendo em conta os escombros e o atraso de evolução arquitectónica em resultado do longo período de guerra, manifesta o seu desagrado de forma subtil.

Já Moscovo – Rússia, a maior potência nuclear planetária, que apoiou política e militarmente o MPLA desde a luta de libertação, e até depois da guerra fria, não esconde a insatisfação, tendo Vladimir Putin (presidente) enviado a Luanda o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, que chegou por deixar dois avisos muito claros: ”as relações entre Angola e a Rússia não se compadecem com questões de geopolíticas”, e que Washington há-de abandonar Luanda a ”um dado momento”.

Mas, como um Estado soberano, Angola segue marcha rumo aos seus próprios interesses, na esperança de que os EUA cumpram até a última letra os acordos firmados.

E se Trump…

O maior obstáculo de Angola e até da União Europeia na relação com os EUA chama-se Donald Trump, cujas sondagens apontam-no como provável vencedor das eleições presidenciais de Novembro deste ano. O modelo de governação do antigo presidente norte-americano é conhecido pelo mundo, e dá até a sensação de que ter-se-á radicalizado ainda mais.

Para Donald Trump, os acordos que não tenham as suas impressões digitais não passam de mero papel, que rapidamente podem ser riscados. Além do facto de assumir-se nacionalista e não globalista. Ou seja, não dá a mínima para as questões de fora dos EUA.

Por exemplo, quando esteve no poder, entre 2016 e 2020, Donald Trump procurou estabelecer boas relações com a Rússia, e tratou Luanda como um ‘joguete’ do passado, forçando a sua aproximação por meios nada subtis, uma estratégia que acabou repelida pelo Governo angolano.

A União Europeia, o maior parceiro dos EUA à face da terra, com pouco mais de 4 milhões de quilómetros de superfície, com mais de 448,4 milhões de habitantes, teme que Donald Trump volte à frente da Casa Branca.

A NATO – a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a maior aliança militar do mundo, composta por mais de 30 países com incríveis capacidades bélicas, e cujo acção está estritamente ligada aos interesses dos norte-americanos, teme igualmente que Donald Trump vença as eleições nos EUA, dado que, durante o seu primeiro e único mandato como chefe de Estado norte-americano, manifestava o desejo de retirar os EUA da aliança.

Portanto, uma vitória de Donald Trump nos EUA pode vir a ser perigosa para Angola, sobretudo nos sectores económico e político, tendo em conta que as autoridades de Luanda acabaram por dar costas às duas potências rivais dos norte-americanos, nomeadamente a China, a quem Angola precisa, dada a dimensão de sua economia; e a Rússia, face à sua influência política e militar no mundo.

Colunistas