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O incêndio da Amazonia: Reaçoes e Interesses

Por: Edson Kassanga *

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- Edson Kassanga  - O incêndio da Amazonia: Reaçoes e Interesses

Durante o fim de semana, o Brasil, cujo nome tem origem numa árvore chamda Pau-Brasil que servia para tingir penas e tecidos, foi manchete nos órgãos internacionais de comunicação social por conta do incêndio que ainda assola extensas áreas da floresta tropical do Amazónia, assim  como das reacções internas e externas que este evento considerado pelos ambientalistas como o mais grave desde que as queimadas, além de outras actividades, passaram a ser monitorizadas por um sistema de comunicação via satélite.

A floresta do Amazónia, que ocupa quase a metade do território brasileiro (45%), localiza-se no continente sul americano, estendendo-se, igualmente, para os territórios do Peru, Guiana, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Equador, Suriname e da Guiana Francesa. A floresta é reconhecida como sendo a maior floresta tropical do mundo. Obviamente, além de ser é o habitat de um número exuberante de espécies animais e vegetais (algumas das quais em vias de extinção), ela contribui, sobremaneira, para o equilíbrio ecológico devido ao nível de oxigénio que ela liberta pelo processo de fotossíntese. É por esta quantia expressiva de oxigénio, essencial para a sobrevivência de todos seres vivos, que algumas entidades destacadas em diversos  domínios e de várias nacionalidades denominam a floresta supracitada como o Pulmão do Mundo.

Considerando esta substancial importância, acrescida nesta era em que a humanidade já sente os efeitos provenientes da sua nociva utilização da natureza, certos Estados têm contribuído com dinheiro, tecnologias e com políticas para preservar o Pulmão do Mundo. Mas, este apoio tem vindo a reduzir, significativamente, desde o empossamento do actual governo do Brasil. O estado alemão e  Norueguês que financiavam, por intermédio do Fundo de Proteção à Amazónia, algumas Organizações Não Governamentais criadas para lutarem, sobretudo, contra o desmatamento foram obrigados a cortar o financiamento. Diz-se que terá sido o próprio presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, quem afirmou não precisar do apoio financeiro que seu país vinha recebendo daqueles. Como agravante, o presidente não substituiu, com dinheiro do próprio país, o apoio financeiro para as estas ONG de cariz ambiental, apesar das manifestações pro financiamento que as mesmas realizaram. Consequentemente, houve um abrandamento da fiscalização no interior da floresta, resultando no recrudescimento das queimadas, feitas com vista a preparação e/ou alargamento de terras para o cultivo e não só.

Perante esta situação devastadora, a população brasileira não ficou indiferente. Aliás, já há algumas semanas que povo brasileiro vem se manifestando face a progressiva devastação do Amazónia. Várias ONGs, sobretudo as defensoras dos indígenas que vivem no Amazónia, têm vindo a promover manifestações contra as politicas pouco ecológicas que a governo de Bolsonaro tem levado a cabo.  Essas manifestações intensificaram-se na noite de sexta feira (23), principalmente nas cidades de S. Paulo e Rio de Janeiro, quando a população tomou conhecimento do incêndio de grandes proporções que assola a floresta do Amazónia.  A Ministra do Meio Ambiente no período em que o Brasil teve uma diminuição bastante notável no desmatamento (2004-2014), Marina Silva, responsabiliza o governo de Bolsanaro por este incêndio para o qual prefere chamar “crime contra a Humanidade”, acusando o actual ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de incompetência por “ter aceitado a nomeação, não sendo um ambientalista” (BBC Brasil 23/09/19.

Fora das terras do Samba também se regista(ram) manifestações de repúdio ao vigente governo brasileiro, quer por populares como por governantes. Alguns governos da Europa, nomeadamente o da Irlanda, Finlândia e da França condenam a destruição da Amazónia e acusam Jair Bolsonaro de afrouxar os mecanismos de que dispõe para a protecção da floresta tropical. Por seu turno, este procura defender-se apontando o dedo às ONG que operam na floresta, só que, sem sucesso.

Para além da condenação e a acusação, a Irlanda vai mais longe fazendo sérias ameaças sobre um acordo de elevado interesse para o Brasil. O Primeiro-Ministro da Irlanda, Leo Varadkar, declarou que “de maneira alguma a Irlanda votará a favor do Acordo de Livre Comércio União Europeia-Mercosul, se o Brasil não cumprir seus compromissos ambientais” (Jornal Exame citando a AFP 23/08/19). Este acordo prevê, em 15 anos, a eliminação, em mais de 90%, das tarifas aduaneiras actualmente praticadas nas transacções comerciais entre os dois blocos. É importante realçar que, em razão do Brasil ser o país  com maior capacidade económica entre os países que compõem o Mercosul, é o que mais tem a ganhar com referido acordo que levou 20 anos de negociações para ser assinado.

Entretanto, este apreço à natureza manifestado pelo governo irlandês, e não só, parece estar a ocultar uma razão económica. Porquanto, também sabe-se que o governo irlandês está sendo pressionado pelos criadores de gado do seu país para evitar com que os países que compõem o Mercosul inundem o mercado irlandês com carne bovina mais barata, numa altura em que a Irlanda já sofre com a saída eminente  do Reino Unido da União Europeia.

Portanto, o incêndio do pulmão do mundo, provocado pelo exponencial aumento das queimadas, despoletou, no Brasil e noutras latitudes, uma avalanche de manifestações contra as políticas ambientais levadas a cabo pelo actual governo brasileiro liderado por Jair Bolsonaro. Apesar destas manifestações revelarem uma preocupação com a progressiva degradação da mãe natureza e, simultaneamente, um perigo para sobrevivência da humanidade, alguns governos, sobretudo os do continente Europeu, usam, aparentemente, pretextos atinentes a questões ecológicas para, realmente, lograr interesses económicos para os seus países.

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