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O exemplo de um verdadeiro Ministro da cultura vem de Cabinda

Vasco da Gama

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O nosso posicionamento é resultado de duas ocorrências que tiveram lugar na última semana do mês de Junho de 2019 (23 a 30) que tinha que ver com a matéria publicada, essencialmente, pela Televisão Pública de Angola, sobre a proibição do uso de telemóveis e de unhas artificiais bem como a obrigatoriedade do uso de roupas africanas as terças e sextas-feiras, nas escolas da província de Cabinda.

Por outro lado, foi nomeada nova Ministra da Cultura que, para efeitos de seu mandato apresentou, na ocasião da tomada de posse, as linhas mestras do seu trabalho tendo destacado o reconhecimento de “sítios”, pela UNESCO, como património cultural mundial!

Na verdade, embora o caso Cabinda esteja ligado ao ambiente escolar é, essencialmente, do âmbito cultural, pois se resume e se transformará num modo de vida, de estar e ser daquelas crianças e não só que hoje estudam nas escolas locais.

Aliás, dizem os manuais – em resumo – que a cultura é o conjunto de hábitos, costumes de um determinado povo. «é, ainda, o conjunto de manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo ou civilização.

Portanto, [prossegue o autor] fazem parte da cultura de um povo [como será o nosso] atividades e manifestações da música, teatro, rituais religiosos, língua falada e escrita, mitos, hábitos alimentares, danças, arquitetura, invenções, pensamentos e formas de organização», conclui-se.

Desta noção depreendem-se vários elementos essenciais para quem procura compreender o formato filosófico e antropológico de um povo. É, desde já, tudo que fazemos no dia-a-dia pelo que a visão, estratégia de quem desempenha responsabilidades neste ramo da nossa vida deve ser holística, ou seja, abrangente.

Abrangente na perspectiva de que um Estado que pretender consolidar a sua cultura tem de olhar para todos os elementos que fazem parte da noção geral da cultura, embora não seja menos importante olhar para as especificidades existentes nesta noção, como serão os casos da noção pedagógica, científica e científico-sociológica, (Imbamba, J.M, 2003, ps 28,29 e30).

Portanto, uma cultura de monumentos e sítios reconhecidos internacionalmente, a que tem sido defendida, trabalhada e desenvolvida pelo governo de Angola, nas últimas duas décadas, por exemplo, é uma cultura promocional, turística, comercial, propagandística e, por isso mesmo, não se insere, no geral, no conceito original que temos vindo a seguir.

Dito de outro modo, este tipo da cultura defendida, agora, pela nova ministra que por sinal vai dar continuidade do trabalho de Carolina Cerqueira) não corresponde, em nosso entender, com a real cultura de um povo ou uma civilização. Isto deve preocupar a todos, porquanto a cultura resulta do que fazemos, como fazemos e quando fazemos.

É esta a ideia do Bispo Católico, Manuel Imbamba no seu manual – Uma Nova Cultura Para Mulheres e Homens Novos – ao defender que: “a cultura não é obra nem de Deus nem da natureza e muito menos do acaso;

Ela é netamente obra do homem; é fruto do seu génio, da sua fantasia e criatividade, da sua inteligência e vontade. A cultura, portanto, é tudo aquilo que o homem cria, graças às faculdades privilegiadas que possui. É quanto vimos e precisamos nos desenvolvimentos precedentes” (Imbamba, Ob cit. p. 32)

Este facto faz-nos cair na conta de que a cultura não é um acontecimento espontâneo, instintivo, inato ou automático; ela requer uma aprendizagem, uma educação e, por conseguinte, exige, quer do individuo singular quer da sociedade um esforço árduo, sacrifícios e um empenho constante.

Portanto, como vimos, quem forma a cultura somos nós e, por isso, ao Estado é imputada maior responsabilidade neste processo porquanto a ele é atribuída a responsabilidade de traçar às políticas globais da sociedade.

É neste âmbito que se fala que a cultura resulta de dois momentos distintos: um voluntario, ou seja, ela se forma involuntariamente com o que se come, o que se bebe, dança, assiste, se veste inadvertidamente, pelo que tornar coerciva uma atitude, um comportamento, um modo de vida, hoje, pode ser iniciativa proveitosa no sentido de orientar a cultura do seu povo futuramente.

Neste sentido, o que está a ocorrer em Cabinda é de todo positivo se considerarmos que os nossos valores culturais, morais e éticos entraram em declínio há muito e precisamos, urgentemente, resgata-los. Tal só será possível se o Estado (entendamos o Estado no sentido lato que inclui o povo e as organizações) adoptar medidas concretas tendentes neste sentido.

O que vestimos, hoje, em Angola, na generalidade, os “vídeos-clips” que gravamos e exibimos nas TV, precisamente nos órgãos públicos, o tipo de dança que colocamos neles, a língua que falamos, como e onde falamos são elementos que se enquadram na noção básica da cultura.

Portanto, o Ministério da Cultura, não pode continuar a olhar para estas questões como alheias à sua atribuição. Não pode, de forma alguma, a pensar que a cultura se resume nos monumentos, nas quedas, nas igrejas e tudo mais. É preciso sair do muro, aprender com os que entendem, na realidade, o miolo da ideia da cultura.

As acções das instituições são e devem ser aproveitadas pelo Estado, considerando a sua representação naquelas e no caso do sector da educação em Cabinda está claro que as ultimas iniciativas são benéficas e ão de contribuir no resgate dos valores que perdemos, pelo menos no caso de Cabinda e, por isso, entendemos que esse contributo pode ser dados ao País todo, desde que aquelas medidas sejam colhidas pelo Ministério e atinjam às escolas nacionais.

É neste sentido que afirmamos que “O EXEMPLO DE UM VERDADEIRO MINISTRO DA CULTURA VEM DE CABINDA” e é de lá onde devemos ir beber o verdadeiro conceito de cultura e fortificar a nossa nos termos em que desejamos

 

 

 

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