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Opinião

O discurso sobre o estado da nação de João Lourenço

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É com muita expectativa que os angolanos através da assembleia nacional órgão de soberania poderão ouvir o discurso sobre o estado da nação do Presidente da República a ser proferido já no próximo dia 15 de outubro. Esta expectativa deve-se ao facto da sua popularidade estar em alta não só no entendimento dos cidadãos, más também da última sondagem feita por uma empresa espanhola que acabou por apresentar 93% de popularidade que os angolanos e as angolanas deram através de inquéritos ao chefe de Estado.

Embora este quadro ser relevante para aferir o exercício do seu poder neste primeiro ano de mandato que completou no passado mês de setembro, também é primordial que se perceba que estes 93% de popularidade do presidente da república João Lourenço estão mais ligados ao seu discurso e não propriamente aos resultados das medidas de governação.

Temos dois discursos que caracterizam o exercício do poder político de João Lourenço, nomeadamente o combate a corrupção e a impunidade, depois ao lado temos algumas acções destes discursos que foram concretizadas no plano da procuradoria geral da República com as detenções mediáticas que a sociedade recebeu com entusiasmo. Num outro sentido é notório que ainda por si só os discursos não cativam as populações mais pobres aquelas que não encontram respostas na implementação das políticas públicas.

Será fundamental que o discurso do presidente da república a nação seja de linhas estratégicas de condução dos próximos caminhos da sua governação trazendo uma visão abrangente dos órgãos do Estado e a sua relação com a sociedade.

Se por um lado o presidente João Lourenço apresenta-se como um reformista do ideal de um novo estado , então deve se munir de pessoas politicamente estratégicas que estejam no espírito das suas visões, e dos seus desafios.

Há uma necessidade urgente do presidente João Lourenço, reformar o partido no que concerne as ideias para que possam assimilar a tese do combate a corrupção e a impunidade, para que não haja rejeição ou descontinuidade ideológica.

O discurso sobre o estado da nação constitui a carta do contrato social que o Presidente da República através dos diagnósticos e o balanço da governação pode propor novos caminhos para o país. Já não será o olhar dos cidadãos angolanos sobre a sua popularidade, más sim o olhar do Presidente da República sobre o resumo do seu primeiro ano de mandato e a visão a ser proposta para uma nova economia, justiça, administração pública, e o desempenho dos seus auxiliares, sem escapar da diplomacia e de como o Estado quer uma sociedade de valores republicanos assentes numa combinação de harmonização das instituições do estado e a sociedade.

O chefe de Estado deve também abrir uma nova visão reformista dos órgãos da juventude já não num modelo de solidariedade paternalista e monolítico em que se exclui as forças juvenis de participação cívica alternativa. É importante uma nova estratégia paradigmática em relação a juventude para nascer uma nova consciência colectiva promissora e mais abrangente aos desafios da modernidade enquadradas num movimento social do tipo pluralista em acção ou de acção e resultados.

O presidente João Lourenço, não pode abdicar em ouvir novas propostas de vivências e de alternativas da juventude legitimando o modelo do passado pouco eficaz na resolução dos grandes problemas da juventude. Se o discurso a ser proferido continuar com a mesma narrativa de autenticidade será benéfico , nos restando apenas cobrar a sua materialização.

Os problemas sociais não podem ser ignorados e estes sim continuam a preocupar as populações, e as organizações da sociedade civil que trabalham com as comunidades. É necessário que o próximo orçamento geral do Estado tenha uma estratégia de política pública para a redução dos níveis elevados de pobreza extrema que culminaram com a morte da classe média que não tem capacidade de aquisição e que hoje perdeu o principal poder de compra das necessidades imediatas por causa do custo elevadíssimo da cesta básica.

O presidente da república João Lourenço, tem a oportunidade de fazer o discurso de interpretação da sociedade. Este poderá ser o mérito caso consiga através do seu discurso combinar o idealismo com o pragmatismo, ou por outro lado o ser e o dever ser.

Não há Estado democrático e de direito sem a força das instituições e tão pouco o funcionamento pleno delas, e aqui as instituições judiciais devem ser órgãos de equilíbrios para a salvaguarda da paz social .

As autarquias locais são o principal desafio a curto prazo do Estado não só na sua realização, más também para a sua concretização e esta agenda não deve estar somente nos objetivos dos partidos políticos, e pode ser o barômetro da nossa democracia participativa, é neste aspecto que o presidente da república João Lourenço ao discursar sobre o estado da nação poderá manifestar a presença e o sinal de apoio do Estado as chamadas candidaturas independentes em consideração a cidadania participativa.

O Estado enquanto ente regulador e moderador deve defender os interesses legítimos dos cidadãos consagrados na nossa constituição. Que a popularidade, e a consolidação da afirmação do poder do presidente da república não venha a ser um elemento de transição autocrática numa lógica do poder absoluto pela experiência constitucional do paradigma do passado, más que tenha como função de ser o poder moderador e acima de tudo o principal garante e defensor da constituição.

O tempo das expectativas quase que termina e brevemente os angolanos contarão pelos resultados e estes sim serão o julgamento nas próximas eleições gerais.

O que esperamos também de ouvir serão efectivamente os futuros caminhos do Estado em que o presidente da República despido do poder partidário consiga levar a bom porto as reformas estruturais dos diversos órgãos do Estado culminando com o desenvolvimento harmonioso, porém, que o presidente da república João Lourenço consiga congregar políticos estratégas para uma visão transversal que possam servir o Estado em primeira instância para uma inclusão na relação entre os órgãos do Estado e a sociedade.

No último congresso ordinário do mpla em que o presidente João Lourenço foi legitimado como o presidente dos ” camaradas ” , falava da necessidade de se combater a bajulação como sendo um mal que periga a credibilidade dos investidores, más também a credibilidade do Estado. Esta prática foi patrocinada no passado pelo próprio Estado que admitia os militantes e agentes do Estado a terem uma percepção de exclusão e da permanente intriga que muitos se beneficiavam prejudicando as pessoas competentes de ascensão em cargos públicos. Este fenómeno alimentou o clima de ” bufaria” e fez cidadãos honestos comprometidos com a pátria de se abster da vida pública e da máquina do Estado.

Hoje vemos a mesma tendência a permanecer , pois o Estado não deve proporcionar um ambiente de agitação social por intermédio de relevantes figuras que usam dos cargos públicos para desrespeitarem os cidadãos com insultos e quase ameaça a intelectualidade.

Que este discurso a nação do chefe de Estado seja não só de moralização , mas, que seja de uma nova versão efectiva de como o Estado vai caminhar na presença de uma imprensa livre e que sirva o interesse público de forma imparcial.

Apesar dos sinais de abertura que a imprensa estatal hoje proporciona , ela deve ser a impulsionadora de novos valores para que possam ser incutidos pelos cidadãos. O novo estado deve ser defensor do cidadão e atrair a ele as oportunidades de desenvolvimento culrural. Só assim é que poderemos trazer uma angola do sonho colectivo, de justiça social e desenvolvimento economico e social.

Ficamos a espera da hora de ruptura de comportamentos que ainda estão muito enraizados na vida social dos angolanos. A sociedade civil deve estar livre e ser a ponte de interação com o poder político sem que ela seja domesticada com os caprichos da militância. Pois, este ainda é o estado da nação que já não pode continuar senhor presidente João Lourenço.

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