Sociedade
O caso da ponte esferovite em Cacuaco
Os moradores da rua da Cerâmica e da Pedreira, em Cacuaco, estão impossibilitados de circular de um lado para o outro porque a ponte que liga os dois bairros desabou, na semana passada, como consequência das chuvas que se abateram sobre Luanda.
Com o desabamento da infra-estrutura, a população ficou sem opção e a única alternativa que encontrou para a travessia, foi passar pela vala que se encontra debaixo da ponte, uma situação que pode perigar a integridade física dos utentes.
As casas que se encontram junto à vala estão a ser afectadas por esta situação. Os destroços da ponte, que caíram sobre o canal, estão a impedir a normal circulação da água da chuva e, como consequência, penetram nas casas ao lado, deixando-as completamente inundadas.
“Vivo aqui desde 2010 e nunca enfrentámos situações desta natureza, mas desde que a ponte desabou, começámos a ter problemas de inundações. Por favor, façam alguma coisa. Estamos a sofrer muito”, lamentou a moradora Isabel Jamba, cuja casa, por se encontrar à beira da vala, inunda sempre que chove.
A moradora, que se dirigia ao governador de Luanda Adriano Mendes de Carvalho, que visitou ontem o Distrito Urbano do Sambizanga e o município de Cacuaco para constatar os danos provocados pela chuva que caiu quarta-feira na capital, contou ao Jornal de Angola que uma vizinha sua ficou sem abrigo depois de a casa ser arrastada pelas águas da chuva. “Tudo foi com a água da chuva, não conseguiu aproveitar nada”, contou.
A ponte estava erguida sobre uma vala de drenagem conhecida localmente como a da Cerâmica, que nasce em Viana e desagua no mar em Cacuaco.
A rua da Cerâmica encontra-se completamente inundada. Não se consegue passar por aí a pé. A população está a ser transportada de forma desumana em viaturas com carroçaria, que fazem serviço de táxi.
O administrador municipal de Cacuaco, Carlos Cavuquila, disse ser falsa a informação segundo a qual a ponte desabou dias depois de ser inaugurada.
“Contrariamente ao que se diz, as obras começaram, mas nunca foram concluídas. Por essa razão, a ponte não podia ser inaugurada”, salientou Cavuquila para acrescentar que a empreitada nem sequer esteve sob a responsabilidade da administração municipal.
