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Novo Presidente do Benim aproxima-se do Níger e do Burkina Faso e abre caminho para reaproximação regional

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Visita de Romuald Wadagni aos dois países governados por juntas militares sinaliza uma possível redução das tensões diplomáticas e o reforço da cooperação em matéria de segurança e comércio. O Presidente do Benim, Romuald Wadagni, realizou esta terça-feira 3 de Junho, uma visita oficial ao Níger e ao Burkina Faso, numa iniciativa que poderá marcar uma nova fase nas relações entre o seu país e os Estados do Sahel liderados por juntas militares.

A deslocação ocorre num contexto de tensões acumuladas entre o Benim e o Níger desde o golpe de Estado de julho de 2023, que levou ao poder o general Abdourahamane Tiani. Após a ruptura com a França, tradicional aliada de Niamey, as autoridades nigerinas acusaram o Benim de acolher bases militares francesas destinadas a desestabilizar o país, encerrando a fronteira comum.

No entanto, após o encontro entre Tiani e Wadagni, os dois líderes divulgaram uma declaração conjunta na qual manifestaram o compromisso de eliminar os obstáculos à cooperação bilateral, incluindo a reabertura da fronteira entre os dois países.

“Os dois dirigentes comprometem-se a trabalhar para remover todos os entraves ao fortalecimento da cooperação, em particular através da reabertura da fronteira”, refere o comunicado.

Cooperação contra o terrorismo

A segurança regional esteve no centro das conversações. Benim e Níger enfrentam uma crescente ameaça jihadista nas suas zonas fronteiriças e os dois governos reafirmaram a intenção de unir esforços no combate ao terrorismo, ao banditismo e ao extremismo violento.

O Níger integra, juntamente com o Burkina Faso e o Mali, a Aliança dos Estados do Sahel (AES), uma confederação criada pelos três regimes militares após a saída da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). Os três países acusam a organização regional de servir interesses ocidentais e de não apoiar adequadamente a luta contra os grupos armados jihadistas.

Após a passagem por Niamey, Wadagni seguiu para Ouagadougou, onde se reuniu com o líder burquinabé Ibrahim Traoré. Segundo uma nova declaração conjunta, os dois chefes de Estado reafirmaram a vontade de aprofundar a parceria bilateral e destacaram a urgência de reforçar a cooperação em matéria de segurança.

Sinais de distensão

A visita presidencial surge depois de alguns gestos considerados encorajadores por observadores políticos. Em maio, o primeiro-ministro nigerino, Ali Lamine Zeine, participou na cerimónia de investidura de Wadagni e defendeu o início de “um novo caminho” nas relações entre os dois países. Em Niamey, a recepção ao Presidente beninense foi marcada por manifestações de cordialidade. As principais artérias da capital foram decoradas com as bandeiras dos dois países e centenas de cidadãos saíram às ruas para saudar a comitiva presidencial.

Romuald Wadagni, antigo ministro das Finanças e sucessor político do ex-presidente Patrice Talon, venceu as eleições presidenciais com 94% dos votos. Poucos dias após a sua eleição, as autoridades nigerinas declararam esperar sinais claros de que o novo governo beninense pretende distanciar-se dos interesses franceses na região.

Interesses económicos em jogo

Além das questões de segurança, a normalização das relações poderá ter um impacto significativo na economia dos dois países. O porto de Sèmè-Kpodji, localizado em Cotonou, constitui uma das principais portas de entrada e saída de mercadorias para o Níger. Segundo dados oficiais nigerinos, cerca de 80% do tráfego de carga do país utilizava esta rota antes do agravamento das tensões diplomáticas. Por outro lado, embora o oleoduto que transporta petróleo nigerino através do território beninense continue em funcionamento, a principal ponte sobre o rio Níger que liga os dois países permanece encerrada e sob forte vigilância.

Oportunidade para uma nova relação

Analistas apontam que a mudança de liderança em Cotonou criou condições favoráveis para uma aproximação entre o Benim e os países da AES. As divergências dos líderes militares do Sahel estavam mais associadas à figura de Patrice Talon do que ao Estado beninense. A saída do antigo Presidente terá, por isso, aberto uma oportunidade política para reconstruir a confiança e relançar a cooperação regional.

A visita de Romuald Wadagni ao Níger e ao Burkina Faso poderá representar um primeiro passo nesse processo, num momento em que a estabilidade e a cooperação se tornam cada vez mais essenciais para enfrentar os desafios de segurança e desenvolvimento na região do Sahel e da África Ocidental.

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