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Norte-americanos voltaram a controlar o Canal do Panamá, depois da retórica de resistência do país?

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Tão logo assumiu o poder na Casa Branca, depois de ter destronado a antiga vice de Joe Biden, Kamala Harris, Donald Trump avisou que queria de volta para a esfera de controlo de seu país o Canal do Panamá, que o mesmo considera vital para os Estados Unidos da América (EUA). Mas contrariando a vontade de Trump, e com recurso à uma retórica de poder, o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, assegurou que o desejo do homólogo norte-americano não seria concretizado, pelo facto de o seu país ser independente e soberano.

“O governo do Panamá, chefiado pelo presidente José Raúl Mulino, autorizou o envio de tropas militares dos EUA para áreas adjacentes ao canal após um acordo assinado entre os dois países”, escreve o canal de televisão por assinatura colombiano NTN24, e que possui estúdios em diferentes capitais da América do Norte e Sul.

Segundo o referido órgão, o acordo assinado pelo ministro da Segurança do Panamá, Frank Abrego, e pelo chefe do Pentágono, Pete Hegseth, permite especificamente aos militares norte-americanos terem acesso às instalações e áreas “autorizadas” para “treinamento”, “exercícios” e outras actividades.

As áreas autorizadas incluem duas bases aéreas navais e um aeroporto, localizados em áreas onde as bases militares dos EUA ficavam no enclave da Zona do Canal.

De referir que, desde que voltou ao poder na Casa Branca, em Janeiro deste ano, e mesmo durante a campanha eleitoral de 2024, Donald Trump ameaçou “recuperar” a rota marítima que os Estados Unidos construíram, argumentando que está sob a “influência” da China.

Mas o governo panamenho recusava-se a ceder, tendo garantido ao seu povo e ao mundo, que permaneceria “firme” na defesa de sua soberania.

“Com relação a essas declarações, não tenho mais a dizer do que o Panamá continua firme na defesa de seu território, seu canal e sua soberania”, dissera o ministro das Relações Exteriores do Panamá, Javier Martinez-Acha, na época.

Do Panamá, o último soldado dos EUA partiu em 31 de Dezembro de 1999, o dia em que a hidrovia interoceânica passou para as mãos do Panamá.

Embora os acordos assinados em 1977 para a transferência do canal permitam que os Estados Unidos defendam a rota em caso de ameaças, Martínez-Acha disse que isso só pode acontecer a pedido do governo panamenho.

Como descreve a NTN24, a tensão entre os dois países cresceu desde Dezembro passado, quando Trump garantiu que “recuperará” a rota marítima construída pelos Estados Unidos e inaugurada em 1914. O Chefe de Estado norte-americano chegou a admitir o uso da força para atingir o desiderato.

Vale ainda lembrar que os Estados Unidos invadiram o Panamá em 1989 para capturar o então presidente Manuel Antonio Noriega, a quem acusaram de tráfico de drogas, mas em 1994 iniciaram o fechamento gradual de suas bases militares no país.

O Canal do Panamá é uma via artificial construída no istmo do Panamá e que se estende por 82 km. É responsável pela conexão entre os oceanos Atlântico, na altura do Mar do Caribe, e Pacífico, representando por isso uma das mais importantes rotas marítimas para o comércio internacional. O canal foi inaugurado no ano de 1914 e possui, actualmente, um trânsito anual de mais de 14 mil embarcações oriundas de 170 países, de acordo com os dados à disposição.

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