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Nobel da Paz questiona “como maior parte dos corruptos tem doutoramentos”

A Nobel da Paz Rigoberta Menchú Tum defendeu hoje que a Academia tem de “ser prática e buscar soluções”, admitindo não perceber “como é que a maior parte dos corruptos do nosso tempo tem doutoramentos”.

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Não sei o que se passou na Academia, mas a maior parte dos corruptos do nosso tempo tem doutoramentos”, disse durante a sua intervenção nas Conferências do Estoril, que hoje terminam, em Carcavelos.

Prémio Nobel da Paz 1992, a ativista dos direitos humanos pediu à Academia para “ser prática, deixar a teoria e buscar soluções”.

Na conferência de imprensa que deu a seguir, Rigoberta Menchú Tum explanou a ideia. “Há uma decadência global, no mundo. E a decadência é precisamente a falta de ética, a falta de honestidade, a falta de sensibilidade, que converteu os humanos em intolerantes. Mas também há uma depressão social muito forte, em que os cidadãos do mundo valorizam muito pouco a sua participação, a sua crítica. E não só nos países pobres, onde a desigualdade pareceria normal, a corrupção, a impunidade, as máfias corporativas estenderam-se ao mundo e por isso é tão importante recuperar os princípios, os valores, a sensibilidade”.

A Academia deve promover programas de educação para a paz, de cultura de paz, de honestidade. “A Academia tem tudo para impulsionar um modelo de missão social, par que a juventude saiba o que se deve à sociedade”, sustentou a guatemalteca, que tem uma cátedra na Universidade Nacional Autónoma do México.

Sublinhando que “a migração é um assunto universal”, Rigoberta Menchú Tum identifica as suas causas: a pobreza e a falta de trabalho, mas também a violência. “São causas económicas e políticas, as desigualdades”, que levam as pessoas a buscar “uma vida melhor”, disse.

“É impossível aceitar que crianças sejam separadas dos pais e castigadas por serem migrantes. É impossível aceitar a construção de um muro ao longo da fronteira para estancar a migração, nenhum muro vai estancar a migrações, tem de haver uma política de negociação e de diálogo entre as nações”, afirmou a Nobel da Paz.

“Temos de encontrar políticas públicas, o que passa por eleger melhores deputados, porque a maioria, está ao serviço da impunidade e da corrupção”, defendeu.

“Somos todos migrantes, não há ninguém que não seja migrante neste planeta”, sustentou, frisando: “Se os migrantes tiverem o que fazer nos países de origem, ninguém se vai arriscar à morte, no mar ou noutro lado.”

Qualificando a pobreza de um “crime de lesa-humanidade”, Rigoberta Menchú Tum refletiu como, no mundo moderno, com mais acesso à educação e à informação, “mantêm-se a corrupção e a impunidade”.

Na Guatemala, e noutros países, “é possível quantificar quantos hospitais não foram construídos porque o dinheiro público foi posto ao bolso” por algum político corrupto, exemplificou.

“Se queremos falar de pobreza, não podemos deixar de falar de armas, corrupção, impunidade, e de racismo, discriminação e intolerância”, enumerou.

Na sua intervenção, a Nobel da Paz de 1992, pela sua campanha pelos direitos humanos, especialmente a favor dos povos indígenas, prestou “homenagem às mulheres, que fizeram uma batalha enorme para ocupar espaços políticos, de trabalho, de pensamento”.

Hoje, “há muitas mulheres em cargos públicos”, mas “a grande maioria não introduz novidades na agenda e continua com as políticas estabelecidas”, lamentou. “Temos de sacudir um pouco mais a consciência das mulheres, para que incidam mais” no enfoque social das políticas.

Rigoberta Menchú Tum diz e repete que acredita na sabedoria dos antepassados, sobretudo para levar a bom porto a luta contra o aquecimento global, que “pressupõe outra relação com a Mãe Terra”.

A ativista tem esperança na juventude que participa, mas “é entre todos que vamos mudar o mundo”, porque só a “ação global” o vai conseguir fazer, acredita.

“A juventude tem de saber quem é e o que pode fazer, não só imaginar um mundo bonito. Digo sempre que o tamanho do meu sonho é o tamanho do meu orçamento”, diz, realista, instando os jovens a “começar a mudança pela família”.

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