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Opinião

No silêncio tumular da sociedade “Man Nelas” foi ao campo santo

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Estive em Cabinda quando recebi a triste notícia do assassinato do Man Nelas, ou se preferirem “01”, nome que ganhou em 2006, quando fomos abrir o Instituto de Ciências Policiais e Criminais, “Osvaldo de Jesus Serra Van-Dúnem”, ao Camama, Belas, por ser o Cadete número 01 do batalhão que contava com mais de 500 estudantes.

Com alguma agenda ainda por cumprir nas terras do maiombe vi-me obrigado a voltar a Luanda para testemunhar o último momento da presença dele no mundo dos vivos – o enterro.

Com mais ou menos “confusão”, com a voadora nacional, TAAG, consegui um voo que me permitiu chegar a Luanda às 9h00 e 5 minutos e, na sequência, com a mesma roupa, sem banho algum nem mesmo a boca lavada, fui ao Serra Van-Dúnem participar do velório e depois do enterro, no Cemitério do Benfica.

Triste, frustrado e só, não apenas pela partida do Zero 01 que, durante os quatro anos de formação, quando tivéssemos um “sai voado” (comida menos católica) tinha sempre uma “catequese” para dar e, no final, comíamos, mas pelo silêncio da sociedade que, grosso modo, vai mostrando que um agente da polícia tem menos valor, comparado com os demais angolanos e não só.

Não tem vida, não tem dignidade e não é detentor de direitos humanos.

Silêncio de individualidades, organizações grupos de pessoas que, pela natureza do seu trabalho, deveriam condenar a partida de um polícia assassinado a sangue frio, à luz do dia, sem nó nem piedade, por marginais, na ânsia de conseguirem alguns trocados.

Triste com esta gente que prefere convocar manifestações, conferências de imprensa, ocupar programas de rádio, tv e largos espaços dos jornais, para diabolizar a corporação, mesmo que, no caso, tenha havido um erro tático-policial.

Triste com esta gente que normaliza a morte de polícias por parte de marginais e dramatiza a morte de marginais por parte de agentes da polícia em pleno serviço e, em muitos casos, em enfrentamento policial.

Triste com esta gente porque um polícia assassinado de forma macabra, arrepiante, como ocorreu com o Man Nelas, não é digno de ocupar tempos de antena das rádios e tv…

Triste com esta gente que, para fins políticos, tornam incidentes policiais em casos da república e conjunturais, enquanto que, quando a vítima é um agente fingem não estar em Angola.

Triste com esta gente que, nos incidentes policiais, muitos deles por erro humano, fazem comunicados de imprensa. Dão conferências de imprensa e repudiam veementemente a actuação, motivando a avaliação negativa das organizações internacionais que actuam no ramo dos direitos humanos.

Já agora, que diferença tem a vida de um marginal que com arma em mãos leva um tiro de um polícia e a vida de um agente que com arma em mão ou não leva um tiro do punho do marginal.?

Que direitos humanos são estes?
Que sociedade civil é esta?
Que activistas são estes?
Que igrejas são estas, que quando um polícia erra no disparo é alvo de “xinguilamentos” nos cultos, homílias e quando um marginal mata propositadamente um agente assobiam de lado?

Que Deus é este que se satisfaz com o assassinato de um polícia?
Que Cristo é este que se alegra com o vandalismo, banalidade e violência contra os polícias e a autoridade que representa, mesmo vinda do senhor, Cristo Jesus?

É lamentável. É triste que estejamos numa sociedade onde o absurdo é aplaudido e o correcto é criticado, tudo porque o aproveitamento político passou a dominar a vida terrena.

É tempo de, os polícias, perceberem que, efectivamente, estão abandonados. Estão sem apoio e, por isto, devem agir nos termos da lei.
Não vacilar diante de marginais. Aplicar a máxima segundo a qual “marginal armado deve ter a resposta na medida do perigo que representa”.

Disparem, quando for indispensável. Respondam na mesma medida…Não facilitem e não se deixem bater nem morrer às mãos dos marginais, pois, para muitas organizações da sociedade civil nós polícias não temos direitos. Não somos dignos de respeito e não somos alvos de Protecção deles.

O bandido que empunhar arma contra um agente da Polícia (que representa o estado) deve ser um bandido morto, mesmo que depois venham os moralistas parciais…

Quanto ao Man Nelas, resta-me dizer – vá em paz, meu Comandante. Meu Zero 01… Como disse, os seus assassinos encontrar-te-ão. Hoje ou amanhã! Nem que seja por motivos naturais. Certo é que, da terra não sairão vivos, pois basta olhar para a posição dos seus narizes para perceber que do pó voltarão!
Até já, Man Nelas.
O teu puto de sempre. O puto do “sai voado”. O menino de ouro.

VASCO DA GAMA ex-Cadete e colega de sala, dormitório, grupo de estudo, grupo de defesa e acompanhante de uma “queda na máscara para a buala.

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1 Comment

1 Comment

  1. mayumbo Lucas

    02/01/2024 at 6:04 pm

    Ohh caro Vasco estou consigo!!
    A sociedade é ingrata, mais isso já sabemos quando decidimos servir a sociedade e aos que ela compoem

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