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“Não há culpados” pelo adiamento das eleições autárquicas, diz João Lourenço

Redação

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João Lourenço

O presidente João Lourenço afirmou, neste sábado, 12, que “não há culpados” do adiamento das eleições autárquicas no país, salientando que tanto o executivo como a Assembleia Nacional estão a trabalhar no sentido de reunir condições para que se realizem.

Na terça-feira, os membros do Conselho da República de Angola consideraram, na sua maioria, que não há condições para realizar as primeiras eleições autárquicas do país, uma posição criticada pelo maior partido da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) que atribuiu a decisão ao receio de uma derrota por parte do partido no poder (MPLA).

Questionado sobre a posição assumida por alguns conselheiros da República que discordam do adiamento, João Lourenço afirmou que “o que conta são as conclusões a que esse órgão chega”, independentemente da posição individual dos seus integrantes, e salientou que o Conselho considerou não haver condições para a realização das eleições autárquicas este ano por não terem sido concluídas algumas condições prévias, estando por concluir o pacote legislativo autárquico.

O Presidente da República respondia aos jornalistas após a inauguração do novo hospital do Biébaptizado com o nome do médico canadiano missionário Walter Strangway, que trabalhou durante 39 anos em Angola no início do século passado.

O chefe do Estado sublinhou que a Assembleia Nacional fez “um esforço bastante grande” em aprovar parte do pacote legislativo autárquico, mas salientou que só com aprovação de todas as leis é que o titular do poder executivo estará em condições de auscultar as forças políticas e chegar à definição de uma data para convocar as primeiras eleições autárquicas do país, que estavam previstas para 2020.

“Tudo o resto não passa de acusações mútuas, de procurar culpados, mas neste processo não há culpados. Todos estão a trabalhar, quer o executivo, quer o parlamento, no sentido de reunir as tais condições que tornarão possível a realização das eleições”, destacou João Lourenço.

Questionado sobre informações que dão conta de que se está a organizar uma frente de partidos da oposição para enfrentar o MPLA nas próximas eleições gerais, em 2022, João Lourenço considerou que “se isso é reconhecimento de que individualmente os partidos políticos, concorrendo sozinhos, não têm a capacidade de enfrentar o adversário (…), estão no direito de chamar os amigos e os vizinhos para ajudar a derrotar o adversário”.

O presidente afirmou ainda, após a inauguração do novo hospital, com 230 camas e prestação de 20 serviços especializados, que o executivo angolano está apostado em continuar a fazer investimentos não só em infraestruturas, como na formação de pessoal médico e paramédico para “minimizar o sofrimento” da população.

“Trabalhamos no sentido de procurar reduzir, ou eliminar, as juntas médicas que, ao longo das décadas, o país conheceu”, disse, lembrando que foram enviados para o exterior “milhares de angolanos para se tratarem, o que representa uma despesa bastante grande e que o governo quer inverter”.

“Os recursos avultados que temos vindo a gastar em hospitais de referência fora de Angola vamos gastálos aqui, vamos investir em Angola em hospitais de referência do género deste e outros”, continuou.

Joao Lourenço disse também que o governo pretendia inaugurar em Luanda este ano “pelo menos quatro importantes unidades hospitalares”, o que “provavelmente” não irá ser feito devido à pandemia de covid-19, prometendo fazê-lo no próximo ano.

No mesmo dia em que o chefe do executivo se deslocou ao Bié realizaram-se, em Luanda, quatro manifestações, entre as quais uma convocada pelo Sindicato Nacional dos Médicos de Angola, para homenagear o pediatra Sílvio Dala, que morreu no âmbito de uma intervenção policial em circunstâncias suspeitas e ainda não totalmente esclarecidas.

Por Lusa

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