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“Não existe educação sem livros”

Redação

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“A literatura é a alavanca primordial de qualquer sociedade“, disse o escritor John Bella, ao Correio da Kianda, neste fim-de semana, justificando com o histórico literário do país.

˝A literatura angolana que se conhece, do ponto de vista escrito, surge por volta de 1886, quando foi lançado o primeiro livro de poemas intitulado Espontaneidades da Minha Alma às Senhoras Africanas, do benguelense José da Silva Maia Ferreira˝, explicou.

O conceituado escritor acrescenta que, naquela época, muitos artigos de cunho literário eram publicados em jornais e revistas.  No século XX, duas grandes gerações vão marcar a arena literária de então, com o surgimento, em 1948, do movimento “Vamos descobrir Angola”, com a revista Mensagem, a Associação dos Naturais de Angola (ANANGOLA) e a revista Cultura.

Ainda segundo o escritor, após a independência, com a criação da União dos Escritores Angolanos, uma nova era se abre. “Houve muita publicação de livros, mormente aqueles que reportavam aos retratos do colonialismo. Isso porque não poderiam publicar durante o regime colonial e aquela era a oportunidade˝.

Contudo, de acordo com o autor, actualmente, as novas tecnologias e os altos preços dos livros  acabam por contribuir para a queda do hábito de leitura na juventude. ”O nosso mercado gráfico ainda é caríssimo, o que levam as editoras a recorrerem ao mercado externo. Deve-se trabalhar mais para que existam mais escritores e também a sua valorização”, acrescentou.

“Temos uma grande comunidade que deveria ser a maior consumidora desse produto, que é a classe estudantil“, disse. Porém, uma pergunta se levanta: será que aos estudantes lhes são exigidos apresentarem trabalhos relacionados com a literatura? Ninguém os pede e logo relaxam. Não são os principais culpados. Aos futuros escritores a leitura é a chave do sucesso”, aconselhou.

Leia a entrevista abaixo

Qual a importância da literatura para a sociedade angolana?

Ela é a alavanca primordial de qualquer sociedade. As sociedades se desenvolvem com educação. Não existe educação sem livros e sem escritores não existiriam livros.

O gosto pela literatura pode ser um grande estímulo para a alfabetização?

Concretamente. As pessoas sentir-se-iam mais motivadas a ler, à medida que se fossem alfabetizar.

Quanto tempo pode levar para escrever um livro?

O tempo para se fazer um livro, depende do género. O romance, por exemplo é o mais demorado, a poesia, o mais embaraçoso e a literatura infantil o mais difícil.

Escrever para criança é diferente de fazer um livro para adulto? 

Sim. Escrever para crianças requer sempre um cuidado e atenção redobrados. Não é fácil escrever neste género.

O que você diria sobre a literatura infantil em língua nacionais?

Quando a implementação das línguas nacionais é desde a base, há maior facilidade em desenvolver quanto adulto, se não for implementada, desde o ensino primário, não haverá crianças para ler um livro, porque elas precisam não só de ter contacto com a literatura em língua portuguesa, mas em todas as línguas regionais existentes no país, para que haja cada vez mais literatura desta natureza. As línguas nacionais devem ser transmitidas muito cedo às crianças, uma vez que elas simbolizam a identidade de um povo e, consequentemente, a sua valorização.

O que falta fazer em prol do desenvolvimento da literatura no país? 

Trabalhar para que existam mais leitores e seja mais valorizado o trabalho do escritor. 

Qual é a sua principal motivação para escrever?

A natureza é a minha grande motivação para escrever. Os problemas da vida, etc.

Como caracteriza o mercado angolano em termo de literatura?

Em termos literários, o mercado é caracterizado como que, razoável. Muita coisa boa e outras, nem por isso. 

Dificuldades que enfrenta como escritor?

A falta de patrocínio.

Como está o mercado gráfico? 

É ainda caríssimo, o que leva as editoras a recorrerem ao mercado externo.

Projectos vindouros. 

Vários, dentre eles concluir a obra “Os Últimos Passos da Rainha Njinga”.

Uma mensagem aos futuros escritores 

Aos futuros escritores deixo a seguinte mensagem: a leitura é a chave do sucesso.

Por­­: Baptista Zau

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