Sociedade
Museu das Vítimas de Conflitos reforça reconciliação nacional, defende historiador
O Museu das Vítimas de Conflitos, cuja inauguração está prevista para este ano, vai resgatar episódios históricos e símbolos de paz, com o objectivo de alimentar o debate sobre a reconciliação nacional em Angola.
O historiador Venceslau Cassesse destacou a importância dos símbolos na consolidação da paz, recorrendo à história do Bailundo como exemplo. Segundo explicou, após um acordo entre o rei do Bailundo e missionários, foi plantada uma molembeira que permanece até hoje como marco de paz e reconciliação.
“Trago esta narrativa para dizer que os conflitos existem, existiram e possivelmente vão continuar a existir. O mais importante é a vontade do homem, o espírito do homem, a capacidade de ultrapassar esses conflitos”, afirmou Cassesse, antigo director provincial da Cultura no Huambo.
Para o historiador, os símbolos materiais têm um impacto mais duradouro do que os discursos. “É muito marcante porque perdura de geração em geração, fica na memória e recorda sempre o momento de coragem e a capacidade de reencontrar as pessoas”, sublinhou.
Na mesma linha, o antropólogo Martinho Jambanganga defendeu que o museu deve incluir um monumento com as três figuras centrais da independência nacional Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi.
Recorde-se que os três assinaram os Acordos de Alvor, a 15 de Janeiro de 1975, que abriram caminho para a proclamação da independência a 11 de Novembro do mesmo ano.
Jambanganga classificou a iniciativa como “uma notícia bem-vinda”, por reforçar o processo de reconciliação nacional. “Tudo isso complementa e engrandece o processo de reconciliação entre os angolanos, culminando também com a data da paz, 4 de Abril de 2012”, referiu.
O projecto do Memorial em Homenagem às Vítimas dos Conflitos Políticos, erguido na Nova Marginal, no município da Ingombota, em Luanda, encontra-se actualmente com cerca de 70% de execução física.
A constatação foi feita esta quarta-feira pelo Presidente da República, João Lourenço, durante uma visita de acompanhamento ao andamento das obras.
A arquitecta Fineza Teta explicou que a estrutura denominada “Aliança Eterna”, localizada no topo do edifício, simboliza o abraço entre dois irmãos reconciliados após um período de conflito fratricida.
O Memorial homenageia as vítimas dos conflitos políticos ocorridos entre 11 de Novembro de 1975 e 4 de Abril de 2002, tendo sido apresentado ao público em Julho de 2022.
