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Mundo celebra dia das mulheres numa altura de maior equilíbrio político entre géneros

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O Estado angolano, subscritor de vários instrumentos internacionais sobre igualdade do género, tem-se empenhado em cumprir as metas da ONU, e já tem 40% das posições de liderança política ocupadas por mulheres. A Organização das Nações Unidas, maior palco político mundial, alcançou a paridade na liderança em 2020, com 90 mulheres e 90 homens como líderes seniores em tempo integral. Entretanto, em termos salarias a nível planetário, o Banco Mundial estima que pode levar 150 anos para que se atinja a paridade remuneratória.

Faz hoje, 08 de Março, 49 anos que o mundo vem celebrando o Dia Internacional da Mulher, dado que a data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975. Entretanto, as suas sementes datam de 1908, quando cerca de 15 mil mulheres marcharam em Nova Iorque exigindo a redução das jornadas laborais, melhores salários e direito ao voto.

A luta das mulheres para igualar seus direitos aos homens é antiga, e, diferente do passado, as instituições, desde o início do presente século, estão mais inclinadas em satisfazer essas exigências. Dessa vez, o mundo celebra o Dia das Mulheres, numa altura de maior equilíbrio político e económico entre o género.

O Estado angolano, por exemplo, subscritor de vários instrumentos internacionais sobre igualdade do género, tem-se empenhado em cumprir as metas das Nações Unidas, versadas no Objectivo de Desenvolvimento Sustentável n.º 5, e já tem, neste âmbito, 40% das posições de liderança política ocupadas por mulheres.

Em Angola, as mulheres não estão só a equilibrar em termos de liderança estão efectivamente a dirigir as instituições mais relevantes do país. O cargo de vice-Presidente da República é ocupado por uma mulher; o Tribunal Constitucional idem; a Assembleia Nacional, o Ministério das Finanças, bem como o Ministério da Saúde e o sector social são liderados por por senhora.

Além disso, o Governo estabeleceu a meta de inserir pelo menos 30% de mulheres no campo da investigação científica até 2027.

Fora da geografia angolana, outros países também estão a fazer mudanças. A Organização das Nações é Unidas, o maior palco político mundial, que aprovou vários instrumentos para o equilíbrio do género, alcançou a paridade na liderança em 2020, com 90 mulheres e 90 homens como líderes seniores em tempo integral.

O imbróglio ainda por corrigir

Dados do Banco Mundial, entidade financeira global chefiada por Ajay Banga, norte-americano de naturalidade indiana, estima que pode levar 150 anos para que as mulheres atinjam a igualdade salarial com os homens.

Ainda a nível do mercado financeiro, um estudo da OMFIF, um think tank independente para bancos centrais, e a que o Correio da Kianda teve acesso, concluiu que o “domínio dos homens no topo dos bancos centrais e das instituições financeiras não deve mudar tão cedo”. Para o órgão, no ritmo actual de progresso, poder-se-á levar mais 140 anos para o mundo alcançar a paridade entre homens e mulheres em cargos de liderança no sector.

Para a concepção desse índice de 2023, a entidade auscultou 46 bancos centrais sobre as suas práticas de recursos humanos relacionadas ao género.

Em 2020, o actual secretário-geral da ONU, o português António Guterres, lamentou o facto de apenas 10% dos países do globo ser presidido por mulheres.

Até ao momento, uma em cada três mulheres ainda sofre alguma forma de violência, sendo que todos os anos, de acordo com os cálculos da ONU, 12 milhões de meninas, menores de 18 anos, se casam, sendo que nalgumas partes do mundo, os níveis de assassínio de mulheres podem ser comparados a zonas de guerra.

A longa marcha das mulheres para o reconhecimento mundial

O Dia Internacional das Mulheres teve origem num movimento operário, mas antes do reconhecimento da ONU, suas sementes foram plantadas em 1908, altura em que 15 mil mulheres marcharam nas ruas e avenidas de Nova Iorque exigindo a redução do horário de trabalho, melhores salários melhores e direito ao voto.

A proposta de tornar a data internacional foi da maior figura do feminismo mundial, a alemã Clara Zetkin, uma activista comunista e defensora dos direitos das mulheres.

Clara Zetkin deu a ideia de um Dia Internacional para elas em 1910, durante uma Conferência Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhague, da qual participaram 100 mulheres, de 17 países. Os primeiros países a celebrarem a data, em 1911, foram a Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.

Entretanto, a sua internacionalização do verdadeiro sentido do termo, só foi oficializada em 1975, quando a ONU começou a comemorar a data, sendo que daquele período até ao momento, o dia 08 de Março tornou-se uma data para a celebração dos avanços das mulheres na sociedade, na política e na economia.