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Opinião

MPLA, poder e política

Walter Ferreira

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Faz tempo que ouvimos a necessidade imperiosa de o MPLA se modernizar para os desafios da democracia emergente. Todas as pessoas que se dedicam a analisar e estudar os novos factos políticos conseguem concordar na observação da antecipação dos cenários que tendem a agravar, ou colocar desvantagens na descontinuidade da acção do MPLA.

O partido dos camaradas tem procurado fazer investimentos na agenda de mobilização, ignorando o investimento nas ideias ou se quisermos, na política do novo perfil de militante que ultrapassa o mero carisma ilusório.

Apesar do processo de transição geracional ser uma realidade por força do tempo, ainda se verifica uma ausência de narrativa política verdadeiramente fluída aos novos actores que têm sido objecto de apostas para o exercício da comunicação política e pública em defesa do partido. O problema não está no perfil de militante, mas na competência axiológica do pensamento que permanece remota para a modernidade de um tempo cada vez mais complexo e exigente. O MPLA tem desafios entre atender a sociedade e atender ao conformismo da carreira partidária que tem sido afectada por uma base tecnocrata oportunista, e, ao mesmo, tempo o nascer do sensacionalismo desprestigiante para servir uma dinâmica amplamente lançada no início do mandato subjacente às reformas no léxico político do líder partidário João Lourenço.

Sem ideias políticas, o MPLA não conseguirá estar preparado para a eficácia de novas abordagens que atendam as simpatias que se tornam importantes, e relevantes para a legitimação do voto popular. O MPLA de João Lourenço depara-se com uma crítica mais acutilante, quer na elaboração do senso comum cívico e, participativo, como também dos organismos profissionais, no caso da ordem dos enfermeiros, advogados, e de toda a classe média, cujo estatuto social assenta na intelectualidade.

O MPLA tem afectado no desempenho estratégico do poder, pelo menos ao nível dos sectores que têm a missão de prevenir, pensar, e articular uma estratégia de salvaguarda do Estado e dos vários órgãos afins. Há uma visível ruptura de metodologia de trabalho por causa dos novos laboratórios de agitação política, que estando no passado mais ao serviço do partido, hoje estão enraizados nos corredores do poder, e ajudam na degradante influência de toda a desarticulação ao nível da comunicação não política. O caso dos acontecimentos de Cafunfo pode ser um exemplo para se obter uma percepção do conflito de dois sectores, que, por razões de vocação, não se complementam para servir o destinatário final. O MPLA é tão somente o instrumento político para aferir o sentido de voto da sociedade, o poder é a razão da vitalidade do Estado na continuidade do funcionamento normal dos seus órgãos.

Tem-se constatado um processo de descontentamento dentro dos órgãos do poder, na Polícia e, agora com o mal estar com a IGAE, Forças Armadas, apenas para ilustrar. Se as manifestações anteriormente estavam nos grupos de pressão da sociedade civil, hoje começam a coabitar nalguns meandros do poder .

Todo esse discernimento vai desembocar-se na política que, sendo ela competitiva por vocação, traduz o sentimento colectivo das pessoas, mas também das opções que se fazem no fim de cada mandato eleitoral.

Objectivamemte estamos a falar de políticos no MPLA, e não funcionários políticos que no seu fanatismo preferem fazer o desajustado activismo político que hoje é orquestrado por um grupo de sensacionalistas, oportunistas, ou mesmo leigos na interpretação política, e nos actos de acção política.

É o MPLA na contra mão do poder, e é o poder que se deixa intrometer por serem confundidos os objectos de trabalho, alvos, e principal destinatário.

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