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Politica

MPLA: incerteza com aproximar das eleições periga investimento estrangeiro

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Silêncio do Gabinete de Propaganda e Informação do MPLA em relação a vários editoriais de jornais e notícias de alegada divergência no seio dos ‘camaradas’ relacionadas com o futuro do partido e de seu líder, está a funcionar como oxigénio para a contínua especulação, e tal incerteza, embora política, tem impacto na economia do país, dado que os mercados precisam de estabilidade e bom ambiente de negócio.

O que ocorre no seio do MPLA tem impacto directo na condução do país. E a incerteza demonstrada sobre o futuro do partido e de seu líder gera receios de instabilidade para o pacato cidadão e atrofia os mercados.

Fáusio Mussá, economista-chefe do Standard Bank, sublinhou que Angola está a registar “uma grande desaceleração de investimento directo estrangeiro”, e a nosso ver, tal pode piorar face às incertezas no quadro das disputas políticas no seio do MPLA, bem como o aproximar das eleições-gerais, constitucionalmente previstas para 2027.

Diferentes editoriais e notícias de vários jornais, impressos e digitais, referem haver, com base em fontes, uma crispação gritante no seio do MPLA. Sublinha-se que os ‘camaradas’ estão na iminência de realizar um congresso extraordinário, sem que seja pública a razão de magno encontro não ordinário.

Os diferentes órgãos de comunicação social admitem não ser oficialmente conhecido o propósito do congresso extraordinário, mas avançam, com base em fontes, que o líder do partido, João Lourenço, pretende promover no magno evento extraordinário, a alteração do artigo n.º 120º dos Estatutos do MPLA, que estabelece que o “Presidente do Partido encabeça a lista de candidatos, pelo círculo nacional, sendo candidato a Presidente da República”, em eleições do país, para uma redacção que permita que um quadro do partido possa vir a ser indicado para cabeça de lista da organização nas eleições-gerais, em detrimento do presidente do partido.

O problema com a alteração dos Estatutos agora, mesmo mínima que seja, seria uma gritante violação ao próprio documento reitor do partido, que reserva competência de alteração dos Estatutos apenas ao congresso ordinário.

Além dessa alegada possibilidade de se vir a violar os estatutos, as várias notícias apontam que essa possibilidade está a gerar divergência no seio do partido que governa o país, dado que, supostamente, diferentes ‘gurus’ do partido não pretendem alinhar à referida estratégia.

O assunto não merece ser menosprezado. É digno de atenção do MPLA. É grave. Está-se a dizer que o Presidente da República, concomitantemente presidente do partido governante, responsável máximo pela política de atracção de investimento estrangeiro, com forte aproximação ao mundo democrático, está a procurar violar os estatutos do partido, que ele próprio propôs, e o partido mantém-se em silêncio?

A estratégia adoptada pelo Gabinete de Propaganda e Informação do MPLA acaba por servir de oxigénio dessas especulações, que têm impacto na vida nacional.

Uma instabilidade no seio dos ‘camaradas’ há-de certeza de ter repercussão ao país todo. Embora seja um partido com os mesmos direitos e deveres iguais a de outras organizações partidárias, os assuntos do MPLA e do PRS, por exemplo, suscitam interesses diferentes pelo mundo, até para a imprensa internacional.

E as narrativas de violação estatutária sem um desmentido e esclarecimento por parte da direcção do MPLA, transmite, além de alimentar as especulações, uma perspectiva errada aos Estados parceiros de Angola, e aos mercados.

Angola é um país que tem registado uma gritante inflação, perda de poder de compra por parte das famílias, alta taxa de desemprego, limitações das infra-estruturas, e precisa, para contrariar essa nebulosidade, de investimento estrangeiro. E notícias que acabam por macular o principal rosto de atracção de investimentos, no quadro da diplomacia económica, representam sérios riscos, pelo que devem ser ultrapassadas com esclarecimento e clarificação dos factos.