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Morreu o antigo ministro das Finanças de Portugal Medina Carreira

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Foi secretário de Estado do Orçamento e ministro das Finanças e, ainda que estas duas passagens por Executivos, sejam referência obrigatória no seu curriculum, Henrique Medina Carreira tornou-se conhecido do grande público e ganhou respeito entre os seus pares, pelas suas leituras e opiniões sobre a situação económica do país. Nascido em Bissau, Henrique Medina Carreira morreu esta segunda-feira, aos 85 anos, vítima de doença prolongada.

Distinguia-se pelo tom assertivo que colocava nas suas análises, frequentemente carregadas de avisos sobre o perigoso desequilíbrio que via entre a parcela das receitas e a das despesas do Estado.

“Não vamos resolver o problema com impostos”, vaticinava em 2012 depois de Vítor Gaspar ter já anunciado um ‘enorme aumento de impostos’ , acentuando que estas receitas não seriam suficientes para fazer face ao crescente desequilíbrio das contas públicas e para manter vivo o Estado Social.

Meses antes, no programa ‘Gente que conta’ do DN e da TSF acentuava a necessidade de o governo explicar melhor às pessoas as razões da austeridade: «O chefe de Governo é mais calmo, mais suportável, mas cuidadoso, vê-se que domina os problemas, quanto a mim o problema que Pedro Passos Coelho tem é que não explica claramente o que se está a passar, nem o ministro das Finanças, portanto o país não está a perceber nada», referiu.

Filho de Cármen Medina Carreira e do historiador António Barbosa carreira, Henrique nasceu a 14 de julho de 1931, na capital da Guiné. Em Portugal, seria chamado por duas vezes a exercer funções governativas: a primeira, em 1975, durante o VI governo constitucional, como secretário de Estado do Orçamento de Salgado Zenha, que foi chamado a tutelar a pasta das Finanças por Pinheiro de Azevedo.

Entre junho de 1976 e janeiro de 1978, regressaria a funções governativas, desta vez como ministro das Finanças do governo liderado por Mário Soares. Foi militante do PS, mas deixou o partido ainda na década de 70, mais precisamente em 1978. A experiência governativa e política não lhe deixaria saudades, afastou-se, e gostava de salientar a liberdade de acção e de opinião que o afastamento da política lhe permitia.

“Eu não sou candidato a nada, e por conseguinte não quero ser popular. Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem quero ser «popularucho» porque não dependo do aparelho político!”, gostava de referir o bacharel em Engenharia Mecânica e licenciado em Direito, que em 2006 decidiu apoiar a candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República. A economia entrou mais tarde na sua vida, quando estudou no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, mas acabaria por não concluir o curso.

Este mesmo afastamento permitia-lhe dizer o que pensava dos candidatos a cargos políticos e de, sem grandes reservas, os acusar de prometerem nas eleições coisas que não podiam ser cumpridas, Uns, dizia, faziam-no por desconhecimento, outros por serem “declaradamente uns mentirosos”.

E permitia-lhe também reagir de forma despreocupada aos que o consideravam ser profeta da desgraça, demasiado pessimista ou mesmo treinador de bancada – ainda que o seu currículo contrariasse esta visão.

O cepticismo e pessimismo que frequentemente carregava nas suas análises e comentários não se resumia aos temas económicos e fiscais. Estendia-se à Educação ou à Justiça. Mas nem todas as suas previsões acabavam por se reflectir na realidade. No final de 2014, na sua habitual leitura à proposta do Orçamento do Estado, afirmou ao Dinheiro Vivo os seus receios de que Portugal estava “a caminho de uma grave crise financeira pública dentro de pouco anos”.

Nestes últimos anos, Medina Carreira foi presença contínua no programa da TVI “olhos nos olhos”, onde o seu tom crítico e assertivo numa faltou.

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