Politica
Do total de 47 mil km de estradas nacionais, 39 mil continuam no papel, ministro garante engajamento do Governo
O governo angolano admite que o país enfrenta défices de infraestruturas e serviços essenciais, especialmente no sector rodoviário. Segundo o ministro de Estado da Casa Militar Francisco Furtado, que Falava este fim-de-semana na província da Huíla, dos cerca de 47 mil quilómetros de estradas nacionais, pouco mais de 8 mil estão concluídos, enquanto 39 mil permanecem por construir ou reabilitar, sem contar com as vias secundárias e terciárias.
O ministro defendeu que a construção e reabilitação dessas vias é fundamental para melhorar o acesso das comunidades, facilitar a circulação de bens e serviços e reduzir desigualdades territoriais, reconhecendo, porém, a magnitude do desafio.
No mesmo contexto, Furtado destacou a implementação da nova Divisão Político-Administrativa (DPA), que elevou o número de províncias de 18 para 21, como medida destinada a aproximar os serviços públicos das populações e tornar a governação mais eficiente. O ministro reconheceu que a simples criação de províncias não é suficiente sem investimento e acompanhamento estruturado, mas garantiu que a administração central está empenhada em reforçar a presença estatal e a inclusão territorial.
Furtado admitiu que o êxodo rural e o crescimento populacional acelerado agravam as assimetrias, com o interior despovoado e as capitais provinciais a sofrer sobrecarga de serviços. O país cresce a cerca de 3,2% ao ano, com quase um milhão de nascimentos anuais, o que aumenta a pressão sobre setores como Educação e Saúde. Reconhecendo essa realidade, o ministro afirmou que Angola necessita construir em média mil escolas por ano para atender à procura crescente, sobretudo da população jovem.
Entre as iniciativas estruturantes, o governo anunciou a aquisição de 738 pontes metálicas, em acordo com uma empresa norte-americana, com o objectivo de melhorar a ligação entre comunas, municípios e localidades isoladas. O ministro assegurou que estas pontes permitirão melhor acesso das autoridades locais às comunidades e promoverão maior acompanhamento das populações, ao mesmo tempo que admitiu que a dispersão populacional e as dificuldades logísticas continuam a representar um obstáculo significativo.
Furtado enfatizou ainda a necessidade de reorganizar o povoamento em algumas zonas, concentrando pequenas localidades dispersas, de forma a viabilizar investimentos estruturantes e melhorar as condições de vida. Reconhecendo as limitações atuais, afirmou que todas as medidas são pensadas para mitigar desigualdades territoriais e reforçar a inclusão social, garantindo que as novas gerações possam ter acesso a serviços básicos e oportunidades de desenvolvimento.
O ministro falava durante um encontro promovido pelo Movimento Nacional Angola Real (MONAAR), membros da sociedade civil elogiaram o reconhecimento dos desafios, mas pediram maior inclusão, debate público e acompanhamento efetivo das medidas anunciadas, reforçando que o progresso depende não apenas da execução de obras, mas de transparência, participação cívica e eficácia na implementação das políticas públicas.