Sociedade
Ministra aponta erros graves nas maternidades e exige maior responsabilidade dos profissionais
A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, apontou esta Quarta-feira, 8, falhas graves no funcionamento das maternidades e defendeu maior rigor no atendimento às gestantes e recém-nascidos, alertando que muitos óbitos podem ser evitados com melhor organização dos serviços.
As declarações foram feitas durante um encontro com directores de várias unidades hospitalares, realizado para avaliar os principais desafios enfrentados pelas maternidades e encontrar soluções para melhorar a qualidade e a humanização do atendimento no sistema de saúde.
Na ocasião, a governante destacou problemas como a transferência inadequada de pacientes críticos, atrasos no atendimento de emergências obstétricas e falta de acompanhamento adequado durante o transporte das grávidas entre unidades sanitárias.
Segundo a ministra, situações desta natureza continuam a colocar vidas em risco e exigem maior responsabilidade por parte das equipas médicas e da gestão hospitalar.
“Não podemos estar a receber óbitos à porta do hospital. Podemos evitar mortes, se formos capazes de atrair às nossas consultas de pré-natal todas as gestantes”, afirmou.
Sílvia Lutucuta defendeu igualmente mais rigor na gestão do pessoal de saúde e advertiu que poderão ser aplicadas medidas disciplinares aos profissionais que não cumprirem as suas responsabilidades, incluindo a devolução de horas extras pagas indevidamente e a instauração de processos administrativos.
Durante o encontro, a titular da pasta da Saúde sublinhou ainda a necessidade de reforçar a formação contínua dos profissionais, sobretudo dos médicos mais jovens, para garantir capacidade de resposta adequada às emergências obstétricas e intervenções cirúrgicas.
Entre as medidas definidas estão a criação de linhas de consulta especializadas para médicos em situação de baixa médica, a organização de quatro pólos de atendimento reforçado para emergências obstétricas, maior fiscalização das unidades de saúde e o reforço do acompanhamento pré-natal.
A ministra destacou também a importância de melhorar o sistema de referência e transporte de pacientes entre unidades hospitalares, com maior comunicação entre os serviços para evitar atrasos que possam colocar em risco a vida de mães e bebés.
Ao encerrar o encontro, Sílvia Lutucuta apelou a uma abordagem mais humana no atendimento, defendendo que cada gestante deve ser tratada com o mesmo cuidado dedicado a um familiar próximo.
“Estamos aqui para salvar vidas. Cada transferência, cada cirurgia e cada atendimento devem ser feitos com responsabilidade, empatia e competência”, concluiu.
