Sociedade
Médicos angolanos pedem mais formação, melhores condições e valorização da profissão
“A classe médica em Angola enfrenta desafios significativos que exigem investimentos contínuos em formação, melhoria das condições de trabalho e maior valorização profissional”.
Esta é a mensagem central transmitida pela bastonária da Ordem dos Médicos Angolanos (OMA), Jeovita André, durante uma audiência com a Vice-Presidente da República, Esperança da Costa, esta terça-feira, 10, em Luanda.
Segundo Jeovita André, os profissionais de saúde estão comprometidos com a prática ética e humanizada da medicina, mas reconhecem que ainda persistem dificuldades estruturais que impactam a qualidade do atendimento. “Os médicos enfrentam sobrecarga de trabalho, insuficiência de recursos em várias regiões e precisam de mais oportunidades de formação contínua. É essencial garantir uma medicina de qualidade, centrada no doente e com empatia”, explicou a bastonária.
Durante a audiência, a responsável da Ordem apresentou à Vice-Presidente as conclusões do encontro realizado em 26 de janeiro, que assinalou o Dia do Médico em Angola. O evento reuniu mais de 600 profissionais e permitiu avaliar os principais desafios enfrentados pelo Sistema Nacional de Saúde, incluindo a necessidade de reforçar competências técnicas, melhorar a infraestrutura hospitalar e valorizar socialmente os médicos.
A bastonária destacou também o papel da Ordem na regulação da profissão, fiscalização ética e aplicação de medidas disciplinares a profissionais que descumpram normas deontológicas. “A Ordem continuará a promover a ética médica e a responsabilizar eventuais prevaricadores, garantindo dignidade e credibilidade à profissão”, afirmou.
Entre as iniciativas em curso para fortalecer a classe, Jeovita André citou o programa governamental de atribuição de 38 mil bolsas de estudo, das quais três mil são destinadas a médicos, e os cursos preparatórios para ingresso na função pública, desenvolvidos em colaboração com o Ministério da Saúde, o Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação e as Faculdades de Medicina. A Ordem promove ainda formações contínuas sobre ética médica, visando consolidar competências e melhores práticas no sistema de saúde.
A Vice-Presidente da República encorajou os médicos a manterem a união, apostar em investigação científica e reforçar parcerias institucionais, reconhecendo os investimentos já realizados no setor, sobretudo na melhoria das condições de trabalho e na formação de quadros.
A Ordem dos Médicos Angolanos conta actualmente com 15.707 médicos inscritos, incluindo 2.600 dentistas e 1.600 médicos estrangeiros, e reafirma o seu compromisso com a valorização da profissão, a melhoria das condições sociais da classe e o fortalecimento de uma medicina ética e centrada no paciente.
