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Médico angolano confia redução de mortalidade por malária no país na vacina aprovada pela OMS

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O Presidente do Sindicato dos Médicos de Angola, Adriano Manuel considera que a vacina contra malária, aprovada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é um dos grandes ganhos para o sector da Saúde em África, à parte em Angola, que vai garantir imunidade as pessoas e reduzir fundamentalmente o nível de mortalidade por malária no país.

“Subtende-se que, com a vacina, vamos diminuir substancialmente o nível de mortalidade em Angola. Então a vacina não deixa de ser bem-vinda para o país, para o continente africano”, começou por dizer, Adriano Manuel, em entrevista ao Correio da Kianda.

A malária é muito mais mortal do que a COVID-19 na África, e a principal causa de morte em Angola, uma doença que, segundo Adriano Manuel, é agravada pela falta de condições urbanas essenciais para a prevenção da saúde pública conexa as águas paradas e os amontoados de lixos.

A estes factores, o também médico acrescenta a debilidade no sistema de saúde do país, para ele, um dos piores do mundo, e até Angola receber a vacina, a malária vai continuar a matar muitos angolanos.

“O sistema de saúde angolano é dos piores que África e o mundo têm. Temos um sistema de saúde débil, e quando o sistema de saúde primário é débil, então, vamos tendo um elevado índice de mortalidade”, lamentou, quando o país registou, de Janeiro a Maio deste ano, 3.799.458 casos de malária com 5.573 mortes, de acordo com a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.

Além de garantir imunidade e diminuir, sobretudo, a mortalidade por malária no continente africano, Adriano Manuel vê, igualmente, benefícios econômicos com a aprovação da vacina, o que vai permitir aos governos reduzir os gastos com a doença e alocar para os outros sectores como, a Educação e Indústria.

“O dinheiro que gastavam para o combate à malária, de certeza que serão aplicados noutras áreas, nomeadamente, a educação, desenvolvimento da indústria, porque a malária leva gastos muito grande com medicamentos, materiais de prevenção e, acima de tudo, o doente grave. É um gasto muito grande. Manter um doente grave de malária numa Unidade de Cuidados Intensivos custa muito para qualquer governo. Normalmente, muitos deles chegam a Unidade de Cuidados Intensivos tendo em conta toda e qualquer repercussão que a própria malária tem. Só para ter uma ideia, uma das grandes repercussões da malária é a insuficiência renal. Logo, isso é um dos grandes ganhos que vamos ter”, argumentou.

Trata-se de Mosquirix, uma vacina desenvolvida pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK.L). E desde 2019, 2,3 milhões de doses da vacina foram administradas a crianças em Gana, Quênia e Malaui em um programa piloto de grande escala coordenado pela OMS, depois de uma década de testes clínicos em sete países africanos. A maioria das pessoas que a doença mata tem menos de cinco anos.
A OMS afirma que 94% dos casos e mortes por malária ocorrem na África, um continente de 1,3 bilhão de pessoas. A doença evitável é causada por parasitas transmitidos às pessoas por picadas de mosquitos infectados. Os sintomas incluem febre, vômito e fadiga.

A eficácia da vacina na prevenção de casos graves de malária em crianças é de apenas 30%, mas é a única vacina aprovada. O regulador de medicamentos da União Europeia o aprovou em 2015, dizendo que seus benefícios superavam os riscos.

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