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Opinião

Mayombola – O início

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Por: Ernesto Samaria 

Ainda me lembro como se fosse hoje.

Era Quarta feira 22 de Junho de 2012 o clima naquele dia estava agradável. O relógio marcava 16 Horas e 48 minutos, a temperatura estava amena para alguém como eu que depois de um dia de trabalho regressava a casa à pé. estava feliz, porque foi um dia proveitoso nesse dia consegui amealhar algum dinheiro através de um esquema que montei lá na empresa e, graças a Deus, tinha comprado o brinquedo que há muito vinha prometendo ao meu filho caçula.

Em casa, o rapaz pulou de alegria e eu fiquei ainda mais orgulhoso. Mandei comprar uma grade de CUCA que os miúdos prontamente puseram a gelar. O resto da massa entreguei a patroa, que aproveitou para caprichar no jantar: Funge com peito alto, o meu prato preferido. o dia correu bem e a noite estava a terminar melhor. Coincidência ou não, quando liguei a TV o canal 2 da TPA exibia o jogo entre o Galatasaray e o Benfica. Liga dos campeões? Que bom. Sentei e fixei atenção no Narrador e comentaristas ( os gajos da RTP são mesmo bons pá!) o Benfica estava a carregar o adversário. melhor! há muito que o meu orgulho de benfiquista estava em baixo.

A patroa (esposa) sentou-se ao meu lado, não para apreciar o jogo mas para fazer aquilo que eu mais gostava nas nossas noites românticas. Encostou a cabeça sobre o meu colo. Mas o jogo do Benfica estava ao rubro. e Eu não queria me distrair nem um pouco. Aproveitei a deixa para mandar vir as primeiras cervejas.

O dia estava mesmo a terminar bem…

O Benfica não ganhou mas ao menos empatou no terreno do adversário.
pensei: quando deslocarem-se a Lisboa vamos pisar esses turcos filhos da mãe.
Já estava na sétima cerveja quando a patroa anunciou o jantar a mesa. A oração ficou a cargo do Júnior, foi tão curta que quase não percebi nada…
– Amém. – Respondemos todos.

Segundos depois, percebi porque razão a oração tinha sido encurtada: O NOVO BRINQUEDO. O objecto ganhou um tal estatuto que até tinha um lugar à mesa. Comi com vontade e deu para empurrar mais três cervejas.

Poucos minutos depois do jantar, fui me arrastando para o quarto. Depois de uma sessão de sexo com muito amor, entreguei-me ao sono.

De repente, trimmmm, trimmmm o telefone tocava insistentemente.
– Aló? – Atendi ainda ensonado.
– É o senhor Ernesto?- Perguntou do outro lado da linha uma voz meio a falar, meio a bocejar.
– Sim. – Respondi ao mesmo tempo que procurei o despertador para ver a hora 04:46.
– Daqui fala o subinspector Malaquias da trigésima nona esquadra da policia em Cacuaco.
– Da policia? O que é que se passa há algum problema?
– Não. Estamos a ligar apenas para o senhor vir buscar a sua esposa.
– Que esposa?… Olhei para o lado e reparei que estava sozinho na cama.
– O senhor não é esposo da senhora Generosa?
– Sim. O que é que se passa?- Respondi já um pouquinho assustado.
– Olha o senhor tem que vir agora mesmo aqui a esquadra. Ok?
Levantei-me, acendi a lâmpada do quarto e percebi que estava mesmo sozinho.
– Ok…ok. Onde é que fica mesmo essa esquadra?
– Aqui em Cacuaco próximo da praia é só perguntar. Mas tem que vir já. É uma emergência.
– Ta bem. chefe quem mesmo?
– Malaquias senhor… Malaquias.
– Ok. – Respondi ainda confuso.

O que é que aconteceu? Tentei rebuscar na memória os acontecimentos da noite anterior. nada. A sucessão dos factos na memória indicava que a noite anterior foi tranquila.
Vesti-me e saí quase a correr.

Não foi difícil localizar a esquadra em Cacuaco. Àquela hora da manha o posto policial já apresentava uma movimentação fora do comum. Policias e civis, misturavam-se numa azafama atípica para uma madrugada. apresentei-me ao agente em serviço de sentinela este, indicou-me um cubículo com o letreiro “OFICIAL DIA”. Encontrei o chefe Malaquias de bruços com a cabeça apoiada sobre a secretaria. pedi licença. e oficial acordou embora um pouco relutante.
– Sim?
– Desculpa chefe! sou o Ernesto o senhor Falou comigo ao telefone.
– Ahn? – Respondeu o policia, recompondo-se. – por favor me acompanhe.

Passamos por dois compartimentos. No primeiro, três policias debatiam-se com um jovem que gritava desesperadamente. No segundo, um agente a civil, escrevia qualquer coisa numa maquina com uma senhora gorda sentada em frente a secretaria atenta aos movimentos do escrivão. Passamos por um corredor muito mal iluminado e de seguida chegamos a uma sala onde o oficial abriu a porta com alguma desconfiança, espreitou para dentro alguns instantes e pediu para entrarmos.

A sala era pequena. iluminada por uma pequena lâmpada incandescente. No primeiro contacto, vi apenas um vulto de uma figura humana sentada a um canto da parede. Alguns segundos depois percebi que era a Geny, a minha esposa. estava toda descomposta com cabelos arrepiados, embrulhada em panos sujos. levantou a cabeça devagar quando entramos. Fiquei admirado, Geny estava bem diferente: cabelos desgrenhados, olhos mortos, um semblante completamente diferente do que tinha visto em 7 anos de casamento. Aquela figura tudo menos a Geny com quem me casei.

Chefe Malaquias não perdeu tempo. olhou para mim e perguntou:
– Essa senhora é tua esposa?
– Sim é. – respondi depois de alguns segundos de hesitação.
o oficial pediu para sairmos e voltamos ao seu gabinete. depois de escrever algumas palavras numa folha, começou:
– Nome completo?
-Hum?
– Como é que o senhor se chama? – Voltou a interrogar já com uma cara aborrecida.
– Desculpa chefe mas até agora ainda não entendi nada. Não sei o que é que se passa. porque é que a minha esposa esta aqui?
– O senhor não sabe mesmo de nada?
– Não chefe. Nada mesmo.
– Ok…- E começou a rir… – Vou ser curto e objectivo. – ontem por volta das 2 horas da manha, fomos chamados por um senhor que dizia que em casa dele caiu uma bruxa. Não queríamos ir, mas o senhor insistiu tanto que tivemos mesmo de ir. E quando lá chegamos encontramos a sua esposa. Toda nua. tentamos falar com ela ela não dizia nada só a bem pouco tempo Deu-nos o teu número de telefone e o seu nome. Por isso é que ligamos para o senhor levar a sua esposa para casa. Agora já entende não é?
– Bruxa chefe!
– Sim. Parece que a tua esposa é bruxa e o senhor não sabia.
O choque foi instantâneo. Dai em diante já não me lembro de mais nada… Sei apenas que acordei no hospital. Os parentes disseram-me que desmaiei na esquadra…

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