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Politica

MASFAMU quer igrejas no grupo de honra da bolsa de solidariedade social

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O Ministério da Acção Social Família e Promoção da Mulher realizou, nesta segunda-feira, 18, um encontro de concertação social com os líderes das igrejas para buscar delas, soluções para a dinamizar e melhor gerir a bolsa de solidariedade social, que havia deixado de existir, por razões técnicas. O consultor do gabinete da ministra Faustina Alves avançou, em entrevista à imprensa, que já foram cadastradas 80 mil pessoas carenciadas para se beneficiarem da bolsa.

No encontro, que decorreu no anfiteatro daquele departamento ministerial, em Luanda, estiveram os líderes e representantes das igrejas Tocoísta, Kimbanguista, Teosófica Espirita, Conselho de igrejas Cristãs em Angola, União Nordeste dos Adventistas do 7º dia, Arquidiocese de Luanda da Igreja Católica, além das Cáritas de Angola.

Segundo o consultor da ministra da Acção Social Família e Promoção da Mulher, Américo Tarcísio, que fez a apresentação das linhas de força do grupo técnico, pretende-se que o programa funcione como uma “plataforma, onde as empresas, as fundações, os supermercados, e todas aquelas pessoas de boa vontade participam exactamente para [a bolsa] ir para frente”.

Disse ainda que a bolsa deixou de existir por razões técnicas e agora com o seu relançamento a 19 de Dezembro último, “as pessoas continuam cépticas ao projecto”. Por esta razão decidiram “envolver as igrejas, no sentido de pautar pela idoneidade e ética que as igrejas têm”, além da experiência em projectos sociais que já desenvolvem. Recorda ainda que as atribuições do governo, através do MASFAMU, são essencialmente de coordenação das acções de solidariedade já existentes, e fazer com que “não hajam desperdícios dessas acções e “que com as igrejas, com essa componente ética, não hajam desvios”.

O consultor reconheceu as acções de solidariedade que têm vindo a ser desenvolvidas pelas igrejas, e pretendem usar essa experiência para melhor gerir e credibilizar a bolsa.

Américo Tarcísio informou que a Bolsa não tem um orçamento fixo, pelo facto de ela funcionar com base no voluntariado, e que já estão cadastrados 88 benfeitores, entre igrejas, supermercados, empresas, fundações para ajudar na materialização do projecto. O consultor da ministra avançou ainda que já estão cadastradas cerca de 80 mil pessoas, com carências de subsistência, a nível das 18 províncias, e que através de organizações e cooperativas passarão a beneficiar-se das acções da bolsa de solidariedade social.

O Bispo da igreja Tocoísta, Dom Afonso Nunes, ao intervir na reunião, recorreu a passagem bíblica de Actos 20 versículo 35, segundo a qual melhor dar do que receber, para dizer que a sua igreja louva a iniciativa, tendo informado que o programa social da sua igreja abriu a cozinha comunitária, para mitigar os efeitos da pandemia da covid-19 junto das pessoas mais carentes. De acordo com aquela entidade religiosa a igreja Tocoísta está a servir diariamente refeições a cinco mil pessoas, na sua sede em Luanda, ao passo que em Benguela 500 pessoas e 300 pessoas na cidade de ondjiva.

Ao tecer a sua opinião, sugeriu a inclusão das universidades no programa, incluindo nos planos curricular do ultimo ano de formação académica a disciplina de Voluntariado, de cumprimento obrigatório, para permitir aos estudantes finalistas participar em trabalho de voluntariado, e servir-lhes de experiência de trabalho que sirva de vantagem no momento de acesso ao primeiro emprego, a semelhança de outros países.

“Em muitos países, um jovem que já tem experiência em trabalho de voluntariado tem maior possibilidade de aceitação que o aquele que nunca desenvolveu acções de voluntariado”, reiterou.

Os representantes das igrejas presentes na reunião, aproveitaram a presença do Vice-governador da província de Luanda para apresentar a dificuldade que enfrentam para encontrar espaços – havendo umas que viram seus terrenos evadidos-, para continuar a desenvolver as suas acções sociais.

O pastor Justino Paulo, da Igreja Adventista do 7º dia, é de opinião que não se deve exigir dos pequenos empreendedores que venham beneficiar-se dos kits da bolsa de solidariedade o mesmo alvará comercial exigido aos empresários, para desenvolverem as suas actividades de subsistência.

A ministra da Acção Social Família e Promoção da mulher, Faustina Alves, que presidiu à reunião, referiu que a bolsa de solidariedade visa atender as necessidades de pessoas com maiores carências, e diferente da acções iniciais, desta vez a pretensão é a inclusão do voluntariado.

Uma das componentes da bolsa, segundo a governante é que trás uma componente formativa, através da qual as pessoas a se beneficiar, possam criar o auto-emprego. “porque há muitos ofícios perdidos e que podem dar dignidade ao homem”, tendo ainda acrescentado que estes pequenos ofícios podem dar oportunidade de as pessoas, por si próprios, criarem oportunidades de continuar a se formar e melhorar as suas vidas, finalizou.

A Bolsa de Solidariedade é uma iniciativa que visa contribuir no combate à pobreza e a vulnerabilidade dos grupos sociais, através da implementação de acções de solidariedade e da promoção dos valores do voluntariado. Além de entidades religiosas, que cuidarão da componente de fiscalização e das Cáritas, universidades, ONGs, associações, rede hoteleira e hospitalar, assim como os gabinetes provinciais de acção social, igualdade e equidade de género, artistas e agentes culturais fazem parte do grupo técnico da operacionalização da bolsa de solidariedade social.