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Crónica

Maquis impiedoso, Kabuscorp pragmático e Libolo firme: o retrato da 1ª jornada do Girabola

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O Girabola 2025/26 abriu as suas portas este fim de semana, espalhando emoção pelos estádios do país, ainda que com ausências forçadas pela agenda internacional das Afrotaças. A jornada inaugural trouxe consigo golos, empates sofridos e a reafirmação de velhos protagonistas, mas também sinais de fragilidades que podem marcar o resto da temporada.

O primeiro grande capítulo foi escrito no Estádio 22 de junho, onde o Kabuscorp do Palanca entrou em campo mais cedo, frente ao Interclube, devido ao seu envolvimento nas competições africanas.

Num duelo tradicional de Luanda, os “palanquinos” mostraram pragmatismo e venceram por 1-0, num jogo onde a experiência falou mais alto do que a inspiração ofensiva. O resultado, ainda que magro, dá ao Kabuscorp não só os três pontos, mas também confiança para enfrentar a desgastante maratona que o espera dentro e fora do país.

Se em Luanda a festa foi contida, em Saurimo a tarde foi de verdadeiro espetáculo. O Bravos do Maquis não teve piedade do histórico 1º de Maio de Benguela, aplicando um pesado 5-1 que ecoa como aviso à concorrência: os maquisardes querem ser protagonistas. Num estádio vibrante, os adeptos locais celebraram cada golo como uma declaração de intenções, a equipa do Leste promete emoção e ambição.

No Calulo, o Recreativo do Libolo mostrou que continua a ser fortíssimo em casa. Diante do Luanda City, os libolenses venceram por 2-0, num jogo em que a diferença de maturidade competitiva se fez notar. Para o City, ficou a lição de que o Girabola exige mais do que entusiasmo, exige consistência.

O interior do país também teve direito a equilíbrio. No Uíge, o São Salvador e o Redonda FC não foram além de um empate sem golos (0-0), numa partida disputada mas pouco eficaz em frente às balizas. Já no litoral, no sempre difícil Estádio do Buraco, a Académica do Lobito e o Desportivo da Huíla dividiram pontos (1-1), num jogo em que o calor humano das bancadas compensou a ausência de um vencedor.

A primeira jornada ficou, contudo, incompleta. Vários jogos foram adiados, devido ao envolvimento de clubes angolanos nas competições africanas, reflexo do calendário apertado que desafia a organização do futebol nacional.

Assim se fecha a ronda inaugural, com uma goleada que mexeu com a tabela, vitórias importantes para candidatos históricos e empates que deixam tudo em aberto. O Girabola começou, e começou quente ao jeito da paixão angolana pelo futebol.

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