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Sociedade

Malária: brigadistas em greve por atrasos salariais de 12 meses

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Cerca de 100 brigadistas do programa de luta contra a malária a nível da província de Luanda entram em greve a partir desta segunda-feira. Às 09h de hoje, 07, os brigadistas vão concentrar-se defronte ao Ministério da Saúde, a exigir pagamento salariais atrasados há um ano.

Além da regularização e ajustes salariais, os 105 técnicos das 13 brigadas da província de Luanda, reclamam da sua situação contratual, subsídios e direito a gozo de férias e inscrição no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS). O porta-voz do grupo, Isidro Afonso, garantiu ao Correio da Kianda que já reuniram com o coordenador do programa a nível do Governo provincial, para verem resolvida a situação dos salários que deixaram de receber há vários meses, mas a resolução continua nos segredos dos deuses.

A fonte referiu que dada a situação da pandemia que o país vive, os 105 brigadistas foram redistribuídos para os trabalhos de desinfestação nas instituições com a covid-19. Uma missão, que segundo contou, criou esperança de pagamento dos salários, mas que até ao momento não se resolve.

Segundo conta, em 2009 quando foram contratados, o salário ficou estipulado em 16.400 kwanzas, tendo depois passado para 20 mil kwanzas, em 2014. Um valor que as 13 brigadas deixaram de ver há já algum tempo. “Estamos há muitos meses sem salário. Os brigadistas do município de Cacuaco estão já há dois anos, os do distrito das Ingombotas estão há seis meses, só para lhe dar um exemplo”, desabafou agastado.

Luís Mendes, outro integrante do grupo de brigadistas, disse ao Correio da Kianda, que na semana finda remeteram uma carta ao Comando Provincial da Polícia Nacional e ao governo provincial a informar da pretensão da greve “a reivindicar os nossos direitos defronte ao edifício do Ministério da Saúde”, tendo acrescentado que o fim da paralisação estará dependente da resposta da ministra da Saúde.

Outra reclamação que também constitui motivo para a greve é a falta de contratos de trabalho pois, segundo conta, desde que iniciaram a actividade em 2009 apenas assinaram um contrato de três meses que, entretanto, nunca chegou a ser renovado.

Na tentativa de buscar solução para o problema, os mesmos afirmam que além dos gabinetes municipais e provincial da Saúde, já escreveram à governadora de Luanda e à Ministra da Saúde. O silêncio das autoridades fez com que os mesmos decidissem partir para a greve, nesta segunda-feira.

O Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, mostrou-se indignado, na última sexta-feira, 4, em relação à malária, que continua a ceifar vidas em Angola e no continente sob o olhar impávido dos cientistas.

“Por mais quanto tempo terá a África que esperar para que seja capaz de evitar mortes por malária quando em apenas alguns meses foram fabricados pelo menos quatro vacinas para a pandemia da covid-19?”, questiona o governante, dirigindo-se à comunidade científica.

A malária é considerada a principal causa de morte em Angola, tendo sido registados no primeiro trimestre deste ano (Janeiro a Março), um total de 2.065.873 casos. Deste número, 2548 terminaram em óbito.

Entretanto, há uma semana que o Correio da Kianda vem tentando contactar os responsáveis pelo programa de luta contra a malária a nível da província de Luanda, pelo que o retorno às ligações e mensagens telefónicas remetidas ao número do seu coordenador não se efectivaram até às 22 horas deste domingo, 6, pelo que este jornal vai continuar a acompanhar o assunto.