País
Mais de metade da população angolana tem menos de 18 anos revela estudo do INE
Cerca de metade da população de Angola é constituída por crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 0 e os 17 anos, revelam os dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde (IIMS 2023-2024). Os resultados, apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), expõem profundas assimetrias regionais no acesso a serviços básicos como saúde, educação, registo civil e água potável no país.
Disparidades no Registo Civil e na Educação
Segundo os dados apresentados hoje, em Luanda pela directora de Estatísticas Demográficas e Sociais do INE, Eliana Quintas, esta faixa etária infanto-juvenil representa uma parcela expressiva em quase todas as províncias nacionais. O Bié, o Uíge e o Moxico lideram esta tendência demográfica, com proporções significativas. Paralelamente ao crescimento populacional, o estudo aponta disparidades acentuadas no registo de nascimento de menores de cinco anos. Enquanto províncias como Lunda-Sul, Zaire, Cuanza-Sul e Moxico registam taxas entre 47% e 71%, regiões como Huambo, Cunene e Bié apresentam números críticos, situando-se entre os 16% e 25%, devido a entraves administrativos e ao difícil acesso das populações rurais.
No sector da educação, a frequência no ensino primário também reflecte fortes desequilíbrios geográficos. A província do Zaire destaca-se com uma taxa líquida de frequência de 87%, seguida pela Lunda-Sul e Cuanza-Norte, ambas com 80%, ao passo que o Bié e o Cunene registam as taxas mais baixas, com 44% e 48%, respectivamente. Estes números evidenciam a necessidade de reforço das infra-estruturas escolares nas regiões mais desfavorecidas.
Desafios na Saúde, Nutrição e Acesso à Água
No domínio da saúde e prevenção da malária, o uso de redes mosquiteiras tratadas em crianças dos 0 aos 4 anos é mais expressivo no Cuanza-Norte com 52%, Zaire com 47% e Uíge com 46%, contrastando gravemente com o Namibe com 10%, Huíla com 8% e o Moxico com apenas 5%. O relatório do IIMS 2023-2024 estabelece ainda uma relação directa entre a situação financeira das famílias e a taxa de mortalidade em menores de cinco anos. As assimetrias são extremas, variando de apenas 9 óbitos por mil nascidos vivos em Malanje para 87 óbitos por mil no Cuando Cubango.
A desnutrição crónica continua a ser o principal problema nutricional, afectando severamente as zonas rurais, onde a prevalência é de 20 pontos percentuais acima das áreas urbanas. O acesso à água potável também evidencia a divisão entre o litoral e o interior, com Luanda a registar 99,9% de cobertura, enquanto o Cuanza-Norte e o Uíge enfrentam os maiores desafios com taxas de 47,1% e 34,9%, respectivamente.
