Sociedade
“Maioria das doenças em Angola resulta do saneamento inadequado”, dizem especialistas
Especialistas em saúde pública alertam que o saneamento inadequado continua a ser um dos principais factores associados ao elevado número de doenças registadas em Angola.
A afirmação é do especialista em saúde pública Jeremias Agostinho, que defende que a maior parte das patologias atendidas nos serviços de saúde está directamente ligada às más condições de saneamento básico no país.
Com base em dados da Direcção Nacional de Saúde Pública referentes a 2022 e 2023, o especialista estima que “oito em cada dez doentes que procuram os serviços de saúde apresentam doenças resultantes do deficiente saneamento básico”, evidenciando a dimensão do problema.
Entre as doenças mais prevalentes, destaca-se a malária, que continua a ser a principal causa de doença e morte em Angola, com milhões de casos registados anualmente e milhares de óbitos associados.
Segundo o especialista, a fraca drenagem das águas e a acumulação de resíduos criam condições ideais para a proliferação de mosquitos transmissores, agravando a incidência da malária e de outras doenças.
Também o ambientalista Vladmir Russo reforça a preocupação, alertando para a falta de consciência das populações sobre o correcto acondicionamento dos resíduos e os riscos sanitários associados.
O especialista sublinha que o impacto do lixo vai muito além do mau cheiro e da presença de moscas, estando também associado a doenças como cólera e outras infecções ligadas ao saneamento deficiente.
