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Opinião

Lula da Silva: o regresso dos que nunca se foram

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“Tentaram me enterrar vivo mas não conseguiram”, diz Lula da Silva.

O modelo implementado por Jair Bolsonaro falhou e já prevíamos que o desfecho seria este. Quando muito se ataca um adversário político, nos dias de hoje, normalmente, o efeito é produzido de forma contrária, ou seja, ao invés de macular a imagem deste proponente, aumentamos a visibilidade do adversário, porque, em política, e cada vez mais as pessoas vão se apercebendo que não há santos e pecadores, e que não existe o bom e o mau, existe sim interesses a serem pretendidos e, concomitantemente, luta-se para a sua materialização, mesmo que este não abarque a satisfação dos governados.

O que fomos vendo amiúde, e já recomendamos inúmeras vezes em outros pleitos de disputa eleitoral, é não atacar o adversário como se fôssemos perfeitos, como se tivéssemos uma varinha mágica, pois, AO INVÉS DE DESTRUIRMOS ESTA PESSOA, CORREMOS O RISCO DE ESTAR A CONSTRUIR A MESMA. E a equipa de Lula da Silva, tirou grande proveito disto, usou todo background noise contra si, e contra-atacou mesmo debaixo dos escombros, apontando de igual modo o fracasso de quem está no leme, porque estava mais exposto ao escrutínio social.

O resultado destas eleições, mesmo no primeiro turno, deixou uma nota clara: a existência de divisão político-ideológico por parte dos cidadãos brasileiros, a medida em que, embora o Brasil volte pela terceira vez às mãos de Lula, mas foi uma vitória sofrida pelo pequena disparidade de votos por cada lado, DEIXARAM UMA MENSAGEM DO QUE QUEREM. Por um lado, Lula com uma percentagem de 50,9 (60345999 votos) e por outro 49,1 (58206354 votos), pressupõe que levaram o jogo até a exaustão, os dois adversários degladiaram até as últimas instâncias, com farpas, insultos e uma avalanche de acusações. Mas o que de facto os brasileiros querem é a resolução dos seus problemas, dos vulneráveis e de questões básicas, comida e educação

Lula afirmou que os brasileiros querem livros, teatro, cinema e cultura, ou seja, atacou em âmbitos que o seu adversário não deu atenção, enquanto este perdia tempo em buscar os escândalos e Lula e da sua sucessora, Dilma Rousseff, aliás, quando Lula deixa a sua sucessora, pairava a sua não ida de facto, continuaria a mandar na sombra.

Jair Bolsonaro tinha muito mais vantagem, pois é o presidente em exercício, e podia usar esta posição a seu favor, contra um adversário calejado, mais velho, que no seu tempo de governação levantou-se vários escândalos de corrupção, levando mesmo a prisão daquele ex-presidente, que felizmente soube usar esta fragilidade a seu favor, Contudo, Bolsonaro tinha vantagens concisas do metiê político, porém, perdeu tempo atacando o seu adversário, e os seus apoiantes, instigou a violência, a descriminação, criou fracções sociais, e aumentou o ceticismo político, acabando aos bocados com aquela democracia que já havia assentado os seus tentáculos institucionais. Por esta razão é que brasileiro diz que quem venceu foi a democracia. Por conseguinte, as alianças que fizeram nesta segunda volta, serviu como cajado de apoio, e mais uma vez as escolhas de Bolsonaro não foi das melhores, ao ponto de várias vezes por em causa o próprio processo eleitoral, o que resvalou a algazarra dos seus apoiantes que, não aceitam os resultados. Camionistas encerraram muitas vias de comunicação para que o país pare e incitam a violência, fruto do seu líder, já Lula, fez escolhas de indivíduos com outra posição social branda, pedagógicos, que prezam a paz e a estabilidade.

O prenúncio de que Lula estaria de volta, é o fracasso de certa forma, das políticas gizadas por Bolsonaro, que, não o fez chegar ao cume, e ele reconheceu isto, mas responsabilizou a crise económica mundial, por consequência da Covid-19, e a guerra na Ucrânia que agravou em grande medida o seu trabalho. Tem as suas razões, mas a franja mais vulnerável que é a maioria, ficou muito mais vulnerável, porque os apoios não supriram às reais necessidades que assolavam o povo.

Uma outra nótula deveras relevante, é a questão dos discursos de Bolsonaro, diferente de Lula que é muito mais experiente, trazendo abordagens mais congregadora, abarcando todos, jovens, velhos, empregados e desempregados, e foi o fio da percepção que num mundo em crise, o que se pretende é maior EQUILÍBRIO e ENTROSAMENTO, dos povos. Notemos como foram os votos na diáspora, para ambos, Lula vence Portugal, China e em Angola, países de matriz política de justiça social, porém, olhemos para os países onde Bolsonaro tira vantagens, Japão, Grécia e Israel por exemplo, em seguida, enquadremos as suas matrizes sociais. Os modelos políticos e económicos, dizem muito e ditaram grandemente este resultado.

Lula afirma que o momento é de “restabelecer a paz entre os divergentes” e que “vai governar para todos os brasileiros, e não só para os que votaram nele. O que demonstra que Lula da Silva não pretende criar o Brasil dos vencedores e o Brasil dos vencidos.

O que podemos esperar com o regresso de Lula da Silva, é uma maior abertura à todos os níveis, reafirmar os laços históricos, as relações comerciais, e melhoria no sector empresarial, onde Angola, um dos grandes parceiros do Brasil, que muito partilham ideais, por causa das matrizes partidárias PT e MPLA, pois fazem parte da mesma escola marxista leninista, aproveitarão tirar maior proveito desta relação que perdura décadas, como parceiros estratégicos, e as empresas angolanas e brasileiras já tiveram uma certa estabilidade com Lula nos dois mercados, Brasil faz parte das economias emergentes, tem know how, e há novamente uma janela de oportunidades para ambos, no sector imobiliário, construção civil banca, consultoria, tecnologia, académica e cultura. Auguremos o relançar das relações intensas em vários domínios, não só com Angola mas com outros países que Bolsonaro arrefeceu as relações fruto da sua liderança mais virada para o mercado interno.

Esperemos que não perca tempo com vinganças e perseguições, com esta remontada do poder, 4 anos passam rápido e pela sua idade, o melhor é deixar o seu legado inatacável.

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