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Sociedade

Luanda: mais de 80% dos colégios pertencem aos governantes – SINPROF

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Luanda tem mais de quatro mil colégios privados contra oitocentas escolas públicas e “mais de 80% dessas instituições pertencem aos governantes e deputados da Assembleia Nacional”, aponta o presidente do Sindicato dos Professores (SINPROF), Guilherme Silva, em uma recente declaração feita ao Correio da Kianda.

“Em Luanda só existe cerca de oitocentas escolas públicas contra quatro mil colégios privados. Isto é privatização e comercialização da educação. É isso que nós repudiamos e estamos a combater”, avançou e questionou: “porque é que os governantes não constroem mais escolas públicas?”

Guilherme Silva afirma ainda que por serem proprietários de mais de 80% das escolas em Luanda, “são eles que se ditam as regras do jogo. Por isso que não estão interessados em debater questões do ensino público, porque também não querem que as pessoas tenham o nível deles, para continuarem a reproduzir a sociedades que temos com um ensino debilitado”, apontou.

O presidente do sindicato realça ainda que a “educação é um direito humano. É dali que ainda há necessidade de construção de mais escolas em Luanda, e em todo território nacional, por termos mais crianças fora do sistema de ensino e carecendo também de mais de oitenta mil professores à serem recrutados”.

Aos deputados da Assembleia Nacional, Guilherme Silva, apela para que na discussão da proposta orçamental para o ano 2023, que “tenham coragem de antes de levantarem as mãos, pensarem nas condições que os professores estão a viver e das crianças nas escolas. Que haja uma fatia orçamental para educação, em que, de facto satisfaça os intentos daquilo que a qualidade da educação tem de ter”.

“Os deputados mostram-se indiferentes porque nós também não temos nenhuma representação no parlamento, e já temos vindo a discutir e conversando com pessoas, e ninguém lá nos defende ou defendem os trabalhadores. Não porque ali alguns só estão para levantar as mãos para votar, cuidar e olhar daquilo que é do seu interesse”, disse.

E continua: “por outro lado, os representantes do povo devem olhar também para o cidadão que o colocou ali. Portanto, votar para um orçamento, por exemplo de 6.6% para a educação, como foi neste ano 2022, é vergonhoso. O deputado que teve a coragem de fazer isso, está a assassinar o país, do ponto de vista da qualidade do ensino”.

“É preciso que os deputados tenham coragem, fundamentalmente, os do partido maioritário, do MPLA, que governa Angola. Devem ter coragem de discutirem e elevarem a fatia orçamental para a educação, para alavancar as outras áreas, porque sem a qualidade na educação, nós teremos dificuldade de avançar com o desenvolvimento do nosso país”, apelou.