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Litígio de terra: mais de 800 camponeses acusam altas patentes das FAA e da PN de arrastarem processo em tribunal

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Os mais de 800 camponeses da Associação Ana Ndengue acusam altas patentes das forças armadas e da Polícia Nacional, do município do Talatona, propriamente do distrito Urbano do Patriota, de estarem envolvidos na ocupação ilegal de cerca de 600 hectares de terra.

Entre os acusados, constam o comandante municipal do Talatona, Joaquim do Rosário, e o general na reserva, Julião Dino Matross. As vítimas afirmam serem proprietárias do espaço, desde 1978, altura em que produziam vários produtos agrícolas por vários anos.

Segundo eles, o litígio teve início em 2012, quando o então falecido general e fundador do Lar do Patriota, General “Dingwanza” e demais altas patentes, tentavam negociar o espaço com os camponeses.

De lá para cá, fez-se várias promessas de que os camponeses poderiam ser indemnizados. Sem sucesso, o caso arrastou-se até a esfera política, onde passa envolver-se o então primeiro secretário geral do MPLA, Julião Dino Matross, que mediou o conflito, onde num documento assinado por ele, dá legitimidade aos camponeses de serem os reais proprietários.

Ana Francisco Malungo disse que está naquele local, desde 1978. Desde que começou o litígio, já recorreram aos tribunais, aos órgãos de segurança e defesa de Estado, em busca de apoio, mas sem sucesso. Nesta altura, a camponesa explica que quando chegou no Patriota não tinha nada, e “naquele momento lutavam com as serpentes e outros répteis e como é que, agora estão a vir aqui homens que dizem ser generais e doutores?”

“Todos esses que estão a vir agora só estão a lutar pelo dinheiro”, disse e acrescenta que estes, foram eles que lhes receberam.

Num última tentativa, a idosa clama pela intervenção do Presidente da República, João Lourenço, e o braço feminino do MPLA, OMA.

“Merecemos respeito”

Já outra camponesa, falando à imprensa, disse que altas patentes da PN e das FAA, ligadas a Associação Lar do Patriota, “não são de bem”, lamentou. Segundo Luísa Manuel Ventura, assim como os ditos chefes, “elas também são angolanas e merecem o mesmo respeito”, disse recordando a célebre frase do primeiro presidente da República de Angola, Agostinho Neto, que “o campo é a fonte de sustentabilidade das famílias”, daí encontram este espaço para exercer as suas actividades agrícolas.

Mais uma vez, o Correio da Kianda contactou a administração do Distrito Urbano do Patriota. Após várias horas de espera, fomos informados que o administrador não iria se pronunciar.

Quanto aos acusados, refutam-se em responder remetendo-nos à decisão do tribunal.

De recordar que o litígio em causa já decorre com processo em tribunal em que, a outra parte dos acusados vem por três ocasiões adiando as audiências, por razões, segundo os responsáveis da Ana Ndengue, “inexplicáveis”. No dia 21 deste mês, no Tribunal Provincial de Luanda, estava marcado para se saber a decisão que viria por fim, a este caso, contudo, o mesmo permanece sem solução.

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