Sociedade
Líder religioso e especialista defendem acção conjunta entre Governo, igrejas e media na orientação da juventude
O papel das igrejas e da Mídia na orientação da juventude esteve hoje em análise no programa Capital Central da Rádio Correio da Kianda.
O Pastor Lúcio Marques defendeu que, num contexto em que o desemprego, a corrupção e o consumo de drogas afectam grande parte dos jovens, torna-se cada vez mais difícil à igreja promover a mudança de mentalidade e incentivar boas práticas sociais.
“A igreja tem se esforçado para consciencializar os jovens, mas muitos deles já vêm de contextos corrompidos, onde falta apoio familiar, oportunidades e exemplos positivos.”
Segundo o líder religioso, é urgente que o Governo assuma o seu papel na criação de políticas de inclusão juvenil.
“Precisamos de acções concretas. Não se pode pedir ética aos jovens quando o próprio sistema os marginaliza. O Estado tem que estar presente, porque senão, pregamos para jovens que têm fome.”
Também o especialista em Administração Pública, Denílson Duro, foi crítico quanto à forma como as políticas públicas são desenhadas para os jovens.
“As políticas para a juventude muitas vezes não respondem às reais necessidades. Falta escuta, falta avaliação e, sobretudo, falta vontade política.”
Denílson Duro considera ainda que os órgãos de comunicação social, especialmente os públicos, deviam assumir maior protagonismo na formação cívica da juventude.
“A Mídia pública tem falhado em ocupar o seu espaço pedagógico. Falta programação que inspire, que eduque e que aponte caminhos de superação.”
Ambos os intervenientes sublinharam a importância da colaboração entre Governo, igrejas e Mídia, para que os jovens possam reencontrar um rumo, com esperança, valores e oportunidades reais.
