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África

Zimbabué: líder da oposição contesta eleições que reelegeram presidente

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O líder da oposição do Zimbabué, Nelson Chamisa, contestou ontem a reeleição, anunciada oficialmente no sábado, do presidente cessante, Emmerson Mnangagwa, e reivindicou vitória numas eleições criticadas pelos observadores internacionais.

“Vencemos esta eleição. Somos os líderes. Estamos até surpresos que Mnangagwa tenha sido declarado o vencedor. (…) Temos os resultados verdadeiros”, assegurou Chamisa de 45 anos de idade, que é advogado e pastor de profissão e que lidera a Coligação de Cidadãos para a Mudança (CCC), numa conferência de imprensa em Harare.

Chamisa disse que as eleições foram uma “flagrante e gigantesca fraude” e lembrou que os observadores internacionais relataram uma atmosfera de intimidação contra os seus apoiantes.

“Roubaram-lhes a voz e o seu voto. Mas nunca a sua esperança”, escreveu o líder da oposição, numa mensagem na rede social X, logo a seguir ao anúncio dos resultados eleitorais.

De acordo com a comissão eleitoral, Mnangagwa, de 80 anos, foi reeleito para um segundo e último mandato de cinco anos com 52,6% dos votos, enquanto Chamisa – que já tinha sido derrotado por Mnangagwa numa eleição muito disputada há cinco anos – obteve 44% dos votos.

Segundo a agência Lusa, Observadores eleitorais internacionais detectaram vários problemas nas eleições – realizadas na quarta e na quinta-feira – alegando uma atmosfera de intimidação contra os apoiantes de Chamisa.

Na campanha eleitoral, grupos internacionais de direitos humanos relataram episódios de repressão aos opositores a Mnangagwa e ao partido ZANU-PF, que está há vários anos no poder.

O acto eleitoral também foi problemático e a votação foi prolongada por um dia extra, na quinta-feira, devido à escassez de boletins de voto, especialmente na capital, Harare, e noutras áreas urbanas que são redutos da oposição.

A vitória de Mnangagwa significa que a União Nacional Africana do Zimbabué – Frente Patriótica (ZANU-PF) mantém a liderança governamental de todos os 43 anos de história do Zimbabué, desde que a nação foi renomeada após a independência do governo da minoria branca, em 1980.

Contudo, o partido de Chamisa não aceita estes resultados, embora ainda não tenha dito se os vai contestar em tribunal.

“Rejeitamos quaisquer resultados reunidos às pressas sem a devida verificação”, disse Promise Mkwananzi, porta-voz do partido de Chamisa, minutos após o anúncio dos resultados.

Para já, não existem sinais de agitação nas principais cidades do Zimbabué.

As ruas de Harare, que normalmente estariam repletas de vendedores noturnos, ficaram vazias logo após o anúncio do resultado eleitoral, no sábado à noite, enquanto as pessoas digeriam os resultados e mais uma vitória da ZANU-PF.