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Educação Financeira

Liamba, a droga dos pobres que todos usam

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Vou começar este artigo sobre a definição de liamba e retirado do dicionário de língua portuguesa “Priberam”.

“Arbusto (Cannabis sativa), da família das moráceas, de folhas palmadas, cultivada pelo seu caule, que fornece uma excelente fibra têxtil, e pelas suas sementes, que dão um óleo; as flores e folhas são também usadas como droga entorpecente.

Droga obtida a partir de folhas, flores e ramos secos dessa planta, que produz sonolência ou outras alterações do sistema nervoso central”.

Fiz a circulação por vários bairros do centro da cidade de Luanda, nos municípios de Luanda, Rangel e Belas e percebi que quem vende e consome Liamba, usa o calão para falar sobre esta planta e droga: “matari”, “pica”, “chocolate”, “boi”, “pipoca”, “biri”, “quiricau”, “debadobodjo”. E nessa circulação que foi a forma que decidi para escrever esta matéria, como outros artigos apliquei o mesmo método, percebi que a droga Liamba é a droga escolhida, preferida pelos seus consumidores e passo a explicar porquê:

– a planta é cultivada no país;
– é de baixo custo de aquisição: desde Kz 100,00 (cem Kwanzas);
– os “passadores”, pequenos traficantes são fáceis de serem encontrados;
– Pequenas quantidades na posse de consumidores não é crime;
– A forma de consumir a droga envolve métodos bem baratos e fáceis.
– A planta tem também outros tipos de utilizações, como fortificar o cabelo, usada nos salões de beleza.
– Etc.

Facilmente encontrou-se quem vende e quem consome. E quando perguntei por que vendem droga aos “vendedores”, a maioria respondeu que é uma forma de sobreviver como fazem outras pessoas noutras actividades: zunga (venda ambulante), agricultura, comércio, etc. Conseguem vender e ter lucro de centenas de milhares de Kwanzas por mês, financiar por via deste «negócio» outras actividades e necessidades, como pagar propinas, ajuda no pagamento de renda de casa e outros vícios.

Quanto aos que consomem, além dos que se consideram viciados (poucos), a grande maioria não assume a adição, consome pelos efeitos que têm após o consumo por inalação do fumo, que passo a explicar:

– Alterações cognitivas como sonolência, perda de estímulos visuais, sentido de ausência de espaço e tempo, levar ao sono o que para quem conduz meios rolantes: carros, motas, máquinas em geral, pode levar a ter acidentes com consequências graves, incluindo a perda da vida humana.

– Suicídio e tentativas de suicídio.
– Apanhar doenças por via do manuseio de objectos e locais de consumo sem o mínimo de higiene, incluindo a partilha dos «cigarros» entre vários consumidores, com doenças na boca.
– Vontade de fumar mais e até levar a adição/vício.
– Dependendo da quantidade consumida, levar delírios.
– Há quem fume para ficar na rua, fazer confusão, roubar.
– Problemas nos casais por disfunção na comunicação oral, sexual e levar geralmente a separações entre casais, quase sempre com filhos pelo meio.

Entre as drogas mais consumidas pelos jovens em Angola está a liamba, mas as autoridades governamentais dizem-se preocupadas com a entrada no país de drogas consideradas “pesadas” que têm como proveniência o Brasil, a maconha, drogas pesadas como cocaína, o que percebi que a Liamba pode ser o início de uma «longa caminhada» de auto-destruição.

Por outro lado, em visitas a alguns pequenos agricultores na província de Luanda, percebi que há famílias numerosas que se dedicam à agricultura de subsistência de problemas ditos «normais» e pelo meio o cultivo da liamba. E no questionário que fiz a várias famílias e à dificuldade em obtenção das respostas, e pela minha persistência, consegui concluir que o cultivo da Liamba aumenta e muito no lucro total, entre 200 a 300% a mais do que ganham estas famílias com este produto e com o resto de produtos, o que leva ou tem levado à resistência dos agricultores e por outro lado é necessário que as forças da Ordem tenham mais actividades de fiscalização e desmantelamento das plantas da Liamba, onde quer que estejam plantadas, incinerar e a comunicação social apresentar estes exemplos.

A droga é uma droga e faz mal à sociedade. Deve ser combatida na produção, no tráfico, por via pedagógica afastar a juventude da procura, do consumo de drogas. Aumentar as penas para quem trafica, mormente o tráfico de drogas a nível internacional, mas há também a necessidade de tratar as pessoas consideradas como toxicodependentes. São doentes. Devem ser tratados e haver a conversão para serem incluídos na sociedade como cidadãos plenos de direitos e deveres.

Não procure as drogas para se alhear dos seus problemas. Não se deixe convencer ou seguir más companhias. Consumir drogas não está na moda, nunca esteve nem estará na Moda, não é «drip» ser toxicodependente.

Se é vendedor de Liamba, procure ganhar legalmente os seus 200, 300 mil Kwanzas, promovendo o bem social, deixando um legado positivo na sua passagem pela Terra.