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Mbuandja na Kianda

Lexus de luxo para Deputados de lixo

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Se colocarmos numa balança o que os média tornaram “viral” nos últimos quinze dias, ou seja, nas últimas duas semanas perceberemos facilmente que o caso que tem a ver com a entrega de veículos de Marca originária da Toyota, modelo Lexus, aos 220 Deputados do nosso parlamento, baterá a concorrência num abrir e fechar dos olhos, primeiro pelo valor dos veículos e em segundo lugar pelos valores financeiros envolvidos na sua aquisição.

Antes, porém, importa trazer aqui algum subsídio relativo ao modelo Lexus para que possamos ajudar na percepção do valor deste veículo que em todo o mundo, desde já, é respeitado. 

O modelo Lexus, que se autonomizou da Toyota, reza a história, «surge em 1983 quando o presidente da montadora japonesa Toyota, Eiji Toyoda, desafiou os seus executivos a desenvolverem o melhor carro de luxo do Mundo. Ela, a montadora, havia decidido que o momento de lançar um automóvel de auto luxo, que pudesse mudar o mercado, especialmente o exigente consumidor americano»(…).

E, é sobre esses dois valores (o social e o financeiro) que queremos falar partindo de um contexto próprio, o nosso, no caso. Ora, naqueles quinze dias que o assunto dominou às pautas jornalísticas, em Luanda, basicamente, a parte da temática que mais mereceu abordagem de vária ordem é a do montante gasto na aquisição dos mesmos no contexto de uma inflação galopante e com ela o custo de vida que nos recorda o pesadelo dos anos seguintes ao de 1992.

No entanto, foram gastos pouco mais de 80 mil dólares para cada um dos veículos cuja soma total dá-nos um valor astronómico, quando, na verdade, o bem-estar dos cidadãos, que deveria ser o fim último da actuação dos políticos presenteados luxuosamente, inspira cuidados especiais.

No País dos lexus, há fome, miséria, faltam estradas para circular com os mesmos, em fim, falta, hoje, ao angolano, (que acordou logo pela manhã, cumpriu filas, votou ao seu representante), tudo e mais alguma coisa e ainda assim o dinheiro que num País de juízo e com parlamentares minimamente comprometidos com o bem comum, que soubessem diferenciar a finalidade de uma sociedade comercial e a de um partido político serviria para construir algumas escolas, em cada círculo eleitoral provincial que dizem falaciosamente representar e defender.

Para percebermos o elevado nível do espírito selvático dos “lexudos” – novos donos dos carros luxosos – temos que olhar de forma sumária ao Orçamento Geral do Estado para o ano económico de 2018, fundamentalmente, na sua fatia para a educação e saúde, ramos que, segundo o historial daquele documento, são autênticas inimigas do Governo angolano. (opinião resultante das verbas atribuídas a estes sectores que, claramente, não ajudam a resolver trinta porcento dos problemas que daí advêm) 

Neste ponto de vista, o OGE para este ano prevê, a título exemplificativo, uma verba para «construção e apetrechamento de uma escola do ensino primário contendo 24 salas de aulas, sita, em Maquela do Zombo, cujo montante está avaliado em 9.880.703,00 (Nove Milhões oitocentos e oitenta mil e setecentos e três kzs).

Ora, cada lexus ao custar cerca de 80.000 USD e se convertidos em moeda nacional, com o câmbio de, pelo menos, 20.000,00 chegaremos a conclusão que cada lexus custou aproximadamente 18.000.000,00, (dezoito milhões de kuanzas) valor suficiente para construir, de raiz, duas escolas do mesmo modelo, em Maquela do Zombo, Província do Uíge. 

Ademais, atendendo ao facto de termos em cada círculo eleitoral provincial cinco parlamentares e se olharmos para o valor de cada veículo atribuído (sem causa) perceberemos, com facilidade, que o valor gasto na compra dos cinco lexus, cerca de 86.182.500,00 (oitenta e seis milhões e sento e oitenta e dois mil e quinhentos kuanzas) dava para construir e apetrechar, num círculo eleitoral provincial, nove escolas de 24 salas, a semelhança daquela que o OGE 2018 prevê para o Município de Maquela do Zombo que, para este efeito, trouxemos como exemplo.

Dito isto, e somente isto – porque teríamos recorrido ao bolo da saúde, agricultura, do pacote da previdência social – não restam dúvidas, pelo menos em nossa percepção, que ao aceitar o luxuoso lexus, para andar em estradas e/ou picadas, lavar nos becos desta ou daquela tia – porque nem sempre têm dinheiro para estação de serviço como ficou evidenciado na foto que ficou em voga – numa província em que as crianças morrem por falta de uma manga verde para comer, como são os casos do Cunene, Benguela e Huila, deixar cerca de 160.000 mil crianças fora das escolas, somente em Luanda, por exemplo, revela uma tamanha insensibilidade dos “lexudos” que ao aceitarem os veículos se remeteram ao silêncio como se os problemas, gravíssimos, acima citados não existissem, demonstrando, claramente, que estão lá não para defender os cidadãos mas, sim, o seu próprio umbigo.

Mais grave ainda é o facto de muitos destes circularem com os carros de luxo em estradas e/ou picadas nas piores condições possíveis. Aliás, circulam nas redes sociais fotos de alguns deles a serem lavados em lagoas o que, por si só, justifica a ideia de que temos “CARROS DE LUXO PARA DEPUTADOS DE LIXO”, pois, os mesmos receberam tais veículos na sã consciência de que os utilizarão no lixo ou da estrada (circulação) ou do “beco dos meninos de e na rua” (lavagem), quando tinha tudo para optar em meios mais económicos e de todo o terreno…

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