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Politica

Lápides de bronze desapareceram do Marco Histórico 4 de Fevereiro

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Cinco lápides de bronze desapareceram misteriosamente no Marco Histórico 4 de Fevereiro, no Cazenga, onde constavam os nomes dos heróis dessa saga nacionalista.

Para constatar a veracidade dos factos, a  rainha do 4 de Fevereiro, Engrácia Cabenha,   deslocou-se ontem ao monumento e não gostou do que encontrou.

 “Não sabemos quem explora o monumento. É brincadeira! Os sobreviventes não sabem porque os exploradores dos espaços não arranjaram segurança para tomar conta do monumento”- desabafou.

Agastada e numa voz trémula, a anciã manifestou a sua crença de que o Governo Provincial de Luanda se pronuncie sobre as razões que estão na base do vandalismo e o estado de abandono em que se encontra o monumento. 

Entretanto, o administrador municipal do Cazenga, Nataniel  Narciso, esclareceu que as lápides foram furtadas em Junho do ano passado, mas a polícia as recuperou um mês depois, estando já em posse da administração. 

O administrador afirmou ainda que o monumento pode cair a qualquer altura por ter sido construído numa zona onde havia um lençol de água. De resto, no local, constata-se a existência de passeios quebrados e muitas crianças no interior. Pelos vistos a manutenção do espaço nunca foi adequada desde a sua edificação. 

No local, a equipa de reportagem do Jornal de Angola apercebeu-se que os meninos correm atabalhoadamente ao redor do espaço do quintal do Marco Histórico do Cazenga sem que haja qualquer impedimento. Até porque para aceder ao local têm como “via verde” um sítio perfurado no gradeamento que era suposto contribuir para a garantia da segurança das instalações.

Volta e meia, rapazes de calções e cobertos de pó dos pés à cabeça entram e saem pela abertura sem o mínimo de receio. De lá ninguém os tira.
 “Viemos aqui para brincar. Nunca escrevemos na parede”, diz um dos petizes em tom de defesa.

À esquerda vê-se uma mulher a secar a roupa lavada. No centro um grupo de jovens está empenhado na montagem de uma tenda que vai acolher as celebrações do dia 4 de Fevereiro. 

Quando Jone, um dos integrantes do grupo de adolescentes aponta com o dedo indicador da mão direita os três buracos por onde entram, os amigos apoiam-no com franqueza num tom ingénuo como se daí resultasse uma menção honrosa.

 “Entramos naquele buraco. A polícia não nos faz nada mas correm-nos depois das 16 horas “, dizem alguns dos rapazes, que nos mostram um agente da polícia, sentado debaixo da árvore, com os olhos virados para a rua. 

Intorrogados se estudam, todos respondem em uníssono: “Sim estudamos”.  Por que não foram à escola? ”Só vamos na terça-feira”. Até aqui tudo bem. O pior foi quando perguntamos o significado do 4 de Fevereiro. Os pequenos tomaram a posição de surdos-mudos, com sorriso para disfarçar a vergonha visível nas entranhas dos rostos. 

Esguios, Leu e José são primos, por isso têm chinelos de borracha iguais com uma única alça robusta, diferente dos demais. Vivem numa casa ao lado no Marco Histórico, uma vantagem que os faz conhecer os adultos do bairro que entram no espaço e fazem rabiscos nas paredes.

O monumento tem duas estátuas com dois homens de calções no cimo, empunhando catanas. Os mosaicos prostrados no passeio têm fendas e em alguns lugares já não existem. Por trás e na lateral da placa descerrada, as paredes com mármores autênticos sofreram pichação, por culpa de algum abandono. Expressões ofensivas na parede do monumento destoam a honra até dos anónimos que lutaram para a libertação de Angola. “São aqueles moços que entram e escrevem aqui na parede”, contam os rapazes, apontando com o dedo para outros jovens apeados nas imediações.  

Pelos vistos a manutenção do espaço nunca aconteceu desde a sua edificação. No centro, três agentes da polícia estão sentados num outro lancil que separa a avenida de desfile do espaço do jardim. O repuxo erguido está seco, apenas algumas tubagens de água, banhadas de poeira, que aos poucos ganham ferrugem. 

As únicas áreas que têm alguma atenção são o restaurante, arrendado para festas de casamentos, e o parque de estacionamento, explorada pela Fiscalização do Cazenga, que angaria dinheiro das cobranças de viaturas alegadamente mal estacionadas. 

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