Sociedade
Julgamento de “Man Genas” por ofensas ao Presidente da República arranca em Luanda
O julgamento do cidadão Gelson Manuel Quintas conhecido publicamente como “Man Genas” teve início nesta sexta-feira, em Luanda. O arguido responde perante o tribunal por ofensas graves à honra e ao bom nome do Presidente da República, João Lourenço, além de acusações infundadas contra altas patentes das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional.
Acusações de difamação e incitamento à violência
Segundo a acusação deduzida pelo Ministério Público, o réu utilizou as redes sociais, em 2023, para proferir termos ofensivos dirigidos ao Chefe de Estado. O arguido alegou publicamente que o Presidente da República tinha conhecimento de uma suposta rede de tráfico de drogas no país, envolvendo figuras do aparelho de segurança do Estado.
Adicionalmente, os autos indicam que o arguido apelou a grupos criminosos para que invadissem as residências do então ministro do Interior, Eugénio Laborinho, bem como de deputados à Assembleia Nacional e de oficiais das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional.
Arguido nega a maioria dos factos em tribunal
Durante a primeira sessão de julgamento, conduzida pela juíza Mimosa Aragão, o arguido assumiu apenas uma parte das acusações que lhe são imputadas pelo Ministério Público, tendo negado a maioria dos factos descritos na acusação. O magistrado do Ministério Público encarregue do caso é Luís Damião.
Recorde-se que o cidadão foi deportado de Moçambique para Angola em Fevereiro de 2024, após ter realizado várias publicações nas redes sociais a partir daquele país. Na altura, o Serviço de Investigação Criminal procedeu à sua detenção imediata à chegada a Luanda.
Investigações do SIC concluem que denúncias são infundadas
Após a detenção do arguido, o Serviço de Investigação Criminal assegurou que realizou um trabalho de investigação em torno das denúncias de narcotráfico feitas na internet. O órgão policial concluiu que todas as alegações apresentadas pelo cidadão eram inteiramente falsas e desprovidas de qualquer base factual.
Para este processo judicial, foram arrolados como declarantes figuras do aparelho de segurança nacional, nomeadamente o antigo ministro do Interior, Eugénio Laborinho, e o então director-adjunto do SIC, Fernando Recheado, que deverão prestar esclarecimentos ao tribunal nos próximos dias.
