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Opinião

Jú Martins: do diálogo à arte das ideias políticas

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Tive a curiosidade de ouvir Jú Martins, numa palestra que foi realizada pelo Comité Provincial da JMPLA de Luanda. A actividade contou com duas prelecções. Pessoalmente, fiquei interessado na dialéctica comunicativa de Jú Martins, antigo secretário do bureau político do MPLA para a área política e eleitoral, a quem passo a designar estratega do paradigma ideológico-evolucionista.

A situação contemporânea e dominante da política doméstica tem rejeitado a curiosidade da nossa capacidade de indagação sobre os acontecimentos ou fenómenos políticos, sociais, culturais, económicos, que emergem na vida pública. Este desinteresse pelas ideias políticas é demostrado pelo comportamento reactivo das soluções, por vezes mal diagnosticadas pelo desconforto de quem se coloca na posição de interlocutor.

O regresso às perguntas simples, como chamou o cientista social Boaventura de Sousa Santos motivaram-me a deslocar para ouvir um dos mais cuidadosos intérpretes de eventos políticos e de uma vasta experiência, consolidada pelo tempo, que o torna progressista pela compreensão epistemológica da realidade e dos seus factores subjacentes ao exercício da dinâmica política contextual.

Sem divagar nos conceitos, preferiu teorizar, no plano da sua experiência política, combinada com as suas preocupações intelectuais sobre a actual situação política nacional. Porém, visitou os caminhos pertinentes do que chamou estratégia política.

Os desafios eleitorais estiveram em ordem de prioridade de toda a narrativa fluída de um homem que, despido de fanatismo, se focou em debitar os grandes desafios estratégicos do MPLA para o próximo pleito eleitoral de 2022.

Jú Martins é um profissional da política, um ideólogo que, pelo facto de não ser tão conhecido no espaço público, se enquadra no perfil da obra de um autêntico senhor da sombra. Depois de ouvir Jú Martins falar sobre estratégia política eleitoral, mas sobretudo de conhecimento transversal. Também fiquei com a percepção de que o pedido do presidente do MPLA, numa reunião do Comité Central, para que o partido tivesse olheiros que pudessem ajudá-lo, constitui, ipso facto, uma preocupação de urgência.

Promover o debate sobre as ideias políticas no MPLA é fundamental, como também recuperar a sua mística para a construção de novos desafios, engajamento não dos militantes, mas da sociedade; ou se quisermos dos espaços de menos e difícil aceitação partidária. Se concordamos que a mobilização é uma das ferramentas da estratégia política, é pois evidente que nos dias de hoje deve ser ajustada com base na competição política actual. Não basta mobilizar, é preciso convencer e captar toda a cadeia de estratificação dos eleitores.

Jú Martins é um verdadeiro detalhista e alguém que sabe desenhar caminhos, articula os argumentos com a exposição da realidade. Por isso, torna-se imbatível como uma das figuras imprescindíveis para a reconfiguração da estratégia política eleitoral adequada aos novos desafios da sociedade.

Num auditório diversificado pelo perfil, ficou a constatação do nível razoável de intervenções. Algumas denotavam lacunas de escola política. Por este motivo, permanecem algumas limitações de quadros políticos que se submetem ao debate público na comunicação social, onde se procura defender o partido e não convencer com ideias políticas. É este MPLA que precisa de compreender a importância das ideias políticas, vocação política, para depois, comunicar-se politicamente com a sociedade.

A transição geracional, mais do que ser um pressuposto etário, deve ser uma transição do legado, simbolismo, e sobretudo das ideias e conhecimento político articulado dos jovens que pretendem ser o passo da continuidade natural dos quadros.

Potenciar a arte política é uma missão nobre que só pode ser possível se ela atender ao prestígio que remota toda a sua existência. Não tem de ser uma actividade fácil por cair na tentação dos leigos que abundam e emprestam-se ao exercício confortável de ocasião, em que a percepção de defender o líder se torna tóxica, por não ser genuína e de tão pouca preparação sobre a arte de fazer política.

Se os eleitores de maior idade civil forem muitos, na votação das eleições de 2022, é um dado suficiente para o MPLA projectar a sua estratégia política eleitoral com base nesta nova ordem social globalizante.

O estratega que idealiza, o deputado que intervém e o governante que executa não pode ser o mesmo pastor que ora, tampouco, o militante que se exclui do confronto de ideias e resguarda-se no partido de massas.

Por Walter Ferreira
Consultor político

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