África
Joseph Kabila rejeita sanções dos EUA e fala em motivação política
O antigo presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, rejeitou as sanções recentemente impostas pelos Estados Unidos, classificando-as como “injustificadas e politicamente motivadas”.
Em comunicado divulgado esta sexta-feira, 1, Kabila afirmou que a decisão de Washington é “profundamente injustificada”, baseada em acusações sem provas, e enquadrada numa narrativa promovida pelas autoridades de Kinshasa.
As sanções foram anunciadas na quinta-feira pelos Estados Unidos, que acusam o antigo chefe de Estado de alegadamente apoiar, do ponto de vista financeiro e político, grupos armados associados à violência no leste do país, incluindo os rebeldes do M23.
Segundo Washington, estas estruturas são consideradas os principais motores da instabilidade na região dos Grandes Lagos, no centro de África.
Em resposta, o governo da Kinshasa saudou a decisão norte-americana, considerando-a um passo importante no combate à impunidade e com impacto na capacidade de financiamento e apoio logístico a grupos armados.
Os Estados Unidos já tinham anteriormente imposto sanções ao Ruanda, no quadro de esforços diplomáticos para tentar avançar com um acordo de paz envolvendo o M23 e o governo congolês, iniciativa anunciada com destaque em dezembro pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Kabila rejeita também a legitimidade das acusações, argumentando que estas não foram devidamente comprovadas. Em contraste, o governo congolês sustenta que as medidas podem limitar a capacidade de mobilização financeira de Kabila e reduzir o apoio a actividades que alimentam o conflito.
O antigo presidente foi ainda condenado à revelia por um tribunal militar congolês por alegada cumplicidade com o M23 e a sua ala política, o Congo River Alliance, o que o impede, na prática, de regressar ao país para uma eventual reentrada na vida política.
O M23 ainda não reagiu publicamente às sanções impostas pelos Estados Unidos.
