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Opinião

José Matuta Cuato – Entre o consumo e a poupança.

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O consumo privado pode tornar-se no motor principal de crescimento da economia nacional, apesar de ser difícil com o actual contexto da economia nacional. O consumo interno constitui um modelo de crescimento da economia nacional assente na procura interna. Não dá para recuperar a economia sem recuperar o consumo.
Consumo corresponde à satisfação das necessidades económicas das pessoas e organizações, através de bens e serviços. É o consumo que permite às empresas escoar os produtos e rentabilizar a sua actividade.

No entanto, se todo o dinheiro for destinado ao consumo, não haverá poupança e, sem a poupança, não há investimento. Se alguém consumir todas as batatas que produziu, não terá nenhumas para semente, nem dinheiro para a aquisição de bens de capital para modernizar os utensílios agrícolas e rentabilizar a produção. No ano seguinte, não terá batatas para consumir nem para vender. Um agricultor com um trator é mais produtivo do que dez com uma enxada, e estes mais produtivos que cem sem qualquer ferramenta.

Há certo consenso entre os economistas de que é necessário investir mais para garantir taxas mais altas de crescimento no longo prazo. Afinal, uma das maneiras mais efetivas de aumentar a produção de bens e serviços da economia é estimulando os investimentos em capital fixo (máquinas, equipamentos, estradas, etc.).

É por isso que tem que existir uma ponderação entre consumo e poupança. Tudo o que for consumido não pode ser poupado. O rendimento disponível das famílias que não seja utilizado na aquisição de bens de consumo será poupado e pode ser investido na aquisição de bens de capital e aumentar os estágios de produção. Algumas empresas, nomeadamente as que vendem ao público e se posicionam no último estágio, serão penalizadas pelo aumento da poupança pois venderão menos, mas a economia como um todo será mais que compensada com o surgimento e crescimento de empresas que produzem bens de capital, que investem em Investigação e Desenvolvimento e em meios de produção mais avançados tecnologicamente. A economia sairá bastante mais fortalecida e o crescimento será mais sustentável.

Então vejamos!… Como surgiram os “smartphones e tablets”? Como apareceram medicamentos mais eficazes? Com investimento, todo ele resultante da poupança real de alguém.

Países com elevadas taxas de poupanças são mais propensos a investimentos baseados em I&D. Países com baixas taxas de poupança têm que pedir emprestado para realizar os seus investimentos dependentes do exterior. A taxa de juro, caso não fosse definida pelos bancos centrais, seria encontrada no mercado entre quem adia o consumo e poupa e aqueles que consomem. Quando os bancos centrais descem as taxas de juro, mais dinheiro tende a afluir aos mercados financeiros, repercutindo-se mais tarde em bolhas. Caso chegue à economia real, são maioritariamente canalizados para investimentos com retornos bastante rápidos, como o imobiliário, criando desta maneira também bolhas…

Na teoria keynesiana, um aumento do consumo público é fundamental para estimular uma economia debilitada. Segundo os keynesiano, a recomendação de poupar menos e gastar mais, pode até ser eficaz em sustentar o PIB no curto prazo, mas, no longo prazo, não existe mágica. É preciso criar condições para aumentar a produtividade do capital e dos trabalhadores, aumentar a poupança para poder financiar mais investimentos sem impacto inflacionário e sem desequilíbrio na balança de pagamentos.