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Sociedade

Jornalistas denunciam perseguição e violência contra a imprensa alternativa

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O projecto “Debate na comunidade” realizou, nesta terça-feira, 20, em Luanda, uma mesa redonda que juntou vários jornalistas e fazedores de opinião para debaterem o tema sobre “As notificações dos jornalistas em vésperas das eleições de 2022, causas e consequências”. Com uma plateia constituída maioritariamente por jornalistas, estudantes de comunicação social e activistas, o debate foi moderado pelo jornalista Salgueiro Vicente e teve como prelectores, os jornalistas Coque Mukuta, Escrivão José, Lucas Pedro, Mariano Brás e o politólogo Olívio Kilumbo.

Segundo o jornalista da VOA, Coque Mukuta, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa são garantias constitucionais, mas, na prática, há muita repressão e retaliação contra quem exerce esses direitos. O profissional de comunicação, que já conta com treze processos contra si, alegadamente por calunia e difamação, criticou a violência, ameaças ou intimidações que os jornalistas sofrem.

Mukuta fez saber que dos processos em que ele está a ser acusado, todos têm o contraditório, considerando que “é mau quando um jornalista cumpre com todos trâmites ainda sim, é processado”, lamentou, e destacou que a “média alternativa é uma das soluções numa fase em que os órgãos públicos não prestam um bom serviço publico, daí deve continuar a fazer o seu papel e o seu trabalho” e sublinha que também é preciso olhar para a qualificação dos profissionais relacionados com a média alternativa.

“É preciso se formar, continuar a capacitar e é preciso que os jornalistas da média alternativa se capacitem para fazerem bom trabalho”.

Para o director do jornal e TV Hora-H, Escrivão José, o que o jornalista tem passado é um efeito intimidador, e que a censura ganhou muita força.

“Isto mexe com o nosso psicológico e, por isso, muitos se calam”. Escrivão realçou que a título de exemplo do governador do Cuanza Norte, Mendes de Carvalho, não tinha necessidade de intentar um processo crime contra si, porque, a informação do qual está a ser acusado é um denúncia pública por ter vazado nas redes sociais. “O que ele fez é uma forma de intimidar os jornalistas”.

Já o analista político e social, Olívio Kilumbo, considera que em Angola, o “executivo está contra os órgãos de comunicação social e não há liberdade de imprensa”.

“Não é possível falar de democracia, sem falar da liberdade de imprensa”. E também criticou a falta de segurança dos profissionais da imprensa e o desrespeito à liberdade de expressão.

O politólogo teme que nas vésperas das eleições, os órgãos de comunicação alternativos radiofónicas, que não estão sob controlo de Estado, possam baixar as ondas artesianas e que, à semelhança de alguns países em que nas eleições houve cortes de Internet, em Angola poderá vir acontecer.

Olívio Kilumbo alertou ainda que o regime, depois de ter controlo dos órgãos convencionais, agora vai virar as baterias aos medias alternativas, porque,  segundo o analista, essa é que são estratégias dos regimes autoritários.

Por sua vez, O procurador-geral da República, Hélder Pitta Gróz, negou, esta segunda-feira, qualquer tipo de perseguição da instituição que dirige a jornalistas.

Hélder Pitta Gróz disse que nunca teve conhecimento sobre as acusações que pesam contra a instituição judicial.

Confrontado sobre as alegadas acusações de perseguição que culminaram com a recente manifestação de um grupo de jornalistas frente às instalações da PGR, o magistrado respondeu: “nunca me chegou informação ou reclamação de algum jornalista sobre alegada perseguição”.

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