Connect with us

Politica

Jornalista Angolano considera oportunismo político onda de greves protagonizada pelos médicos

Published

on

O Jornalista e Director do Portal “ A denúncia” considera como sendo um oportunismo político, a onda de greve que tem sido levado a cabo pelo Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA).

Num texto de análise publicado na sua pagina da rede social “ facebook”, Carlos Alberto levanta várias dúvidas, sobre as motivações que estão na base das referidas greves, bem como os ataques a titular da pasta, Silvia Lutucuta.

“ Os dizeres nos cartazes expostos nas reiteradas manifestações públicas de greve dos médicos em Angola fazem-nos levantar várias perguntas, na qualidade de Cidadão, Jornalista (que analisa factos fora de “olhos apaixonados”) e até de Director do Portal “A DENÚNCIA”, pelo domínio que temos das denúncias que recebemos, incluindo as relacionadas com a Classe dos Médicos”, disse.

Veja a seguir a narrativa de Carlos Alberto:

“Não há luvas nem seringas (nos hospitais)” e “fora, ministra da Saúde” são dizeres que comandam as partilhas nas redes sociais e, por isso, despertou a nossa atenção e observação.

Em que hospitais se verifica isso? Quem denunciou? Onde? No Portal “A DENÚNCIA” ou noutro órgão de Comunicação Social? Alguém já se perguntou? Ninguém (nessa suposta denúncia) consegue precisar em que hospital (público) se verifica “falta de luvas e seringas” – deduzimos que sejam hospitais públicos, já que os mesmos médicos que mais publicitam essa greve trabalham, de forma caricata, também para clínicas privadas (e nas clínicas está tudo bem, não falta nada?).

Já escrevemos, e reiteramos, que uma das maiores (que não são muitas, é verdade) conquistas do Presidente da República João Lourenço neste seu mandato (2017-2022) é precisamente o salto qualitativo que deu às Infra-estruturas ligadas à Saúde. Na Saúde, João Lourenço fez mais que José Eduardo dos Santos em vários mandatos. E não houve, antes de 2017, tanta publicidade de “greve dos médicos” porquê, se os médicos são basicamente os mesmos, fora os novos?

Será que numa das novas estruturas da Saúde em Angola, inauguradas pelo Presidente da República João Lourenço, “não há luvas nem seringas” para trabalhar? É possível. Mas quem denunciou, fora de cartazes dessa greve? É aqui onde vemos alguma má-fé nessa greve dos médicos e vamos explicar.

Ponto prévio: este texto pode servir como um desafio para a classe médica, para que denuncie, com factos, quais as estruturas hospitalares do país que mostram “falta de luvas e seringas”. O Portal “A DENÚNCIA” existe para isso e a direcção do Sindicato dos Médicos conhece a Redacção do Portal “A DENÚNCIA”. Faremos questão de noticiar (se apresentarem factos). Desafio lançado!

Podemos ajudar, de acordo com dados tornados públicos pelo Jornal de Angola e pela Angop, a refrescar a memória do público, numa pesquisa básica que fizemos, sobre os números que falam:
No Bengo, noticiou-se a conclusão do Banco de Urgência do Hospital Geral do Bengo, com capacidade instalada de 34 camas.

Em Benguela, noticiou-se a construção do Centro de Saúde do Luhongo, com capacidade instalada de 42 camas, para além do Centro de Hemodiálise de Benguela.

No Bié, noticiou-se a construção do Hospital Municipal do Cuemba, com capacidade instalada de 70 camas; a construção do Hospital de Referência do Bié (Walter Strangway), com uma capacidade instalada de 230 camas e um Centro Ortopédico do Cuíto.

Em Cabinda, noticiou-se o Banco de Urgência do Hospital Provincial de Cabinda; a construção e apetrechamento do Centro de Hemodiálise do Hospital Provincial de Cabinda (em parceria com o Ministério da Defesa) e o Centro de hemodiálise de Cabinda, com capacidade de 42 monitores, sendo 7 para VIH/SIDA, 7 monitores para Hepatite C, 6 monitores para Hepatite B e 2 monitores para infecciologia respiratória e 17 monitores para serologias negativas para atender 252 pacientes por dia.

No Cuando Cubango, noticiou-se o Centro Ortopédico de Menongue.

No Cuanza Sul, noticiou-se o Centro de Saúde de Quibala, com uma capacidade instalada de 8 camas e o Centro Ortopédico da Gabela.

No Huambo, noticiou-se o Centro de Saúde da Centralidade da Caála, com capacidade instalada de 31 camas; o Centro de Reabilitação Física do Huambo e o Laboratório de Biologia Molecular do Huambo.

Na Huíla, noticiou-se o Centro de Saúde da Quilemba, com capacidade instalada de 44 camas; o Serviço de Hemodiálise no Hospital Central da Huíla, com capacidade de 24 monitores, sendo 2 para hepatite B, 2 para hepatite C, 2 para VIH/SIDA e 18 para serologia negativa para atender 148 doentes por semana.

Em Luanda, noticiou-se o Centro de Saúde da Funda e Leprosaria, com capacidade de 20 camas; a Reabilitação/Ampliação e Apetrechamento do Hospital Sanatório de Luanda, actualmente Complexo Hospitalar de Doenças cardio Pulmonares Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, com uma capacidade instalada de 500 camas; o Centro Especializado de Tratamento de Endemias e Pandemias (CETEP), com uma capacidade instalada de 1300 camas; o Novo Banco de Urgência do Hospital Pediátrico David Bernardino (Hospital dia), localizado no Hospital Psiquiátrico de Luanda, com uma capacidade instalada de 135 camas; o Centro Ortopédico Dr. António Agostinho Neto (ex-Centro Ortopédico de Viana); o Centro de Reabilitação Física da Samba; o Laboratório de Biologia Molecular de Viana; o Novo Depósito de Vacinas (construído no espaço da CECOMA); o Novo Armazém de Medicamentos de Cacuaco (Funda); o Serviço de Cuidados Intensivos e de Hemodiálises no Hospital Pediátrico David Bernardino, com capacidade para 7 monitores, sendo 5 serologias negativas, 1 para hepatite B e 1 para hepatite C e VIH/SIDA para atender 42 doentes; o Serviço de Hemodiálise do Hospital Geral de Luanda, com capacidade de 30 monitores, sendo 2 para VIH/SIDA, 3 monitores para Hepatite C, 5 monitores para Hepatite B e 4 monitores para dialise pediátrica e 16 monitores para serologias negativas para atender 180 doentes por semana; o Centro de Hemodiálise Sol, equipado com tecnologia de ponta, actualmente o maior centro da especialidade do país, com capacidade de 70 monitores distribuídos em 4 áreas diferentes identificadas por rios de Angola (Okavango, Kassai, Kwanza e Keve), sendo 3 monitores para VIH, 3 monitores para hepatite C, 4 monitores para hepatite B, 4 monitores para infecciologia respiratória e 55 serologia negativa para atender 420 pacientes/dia.

Na Lunda Norte, noticiou-se o Laboratório de Biologia Molecular da Lunda Norte.

Na Luanda Sul, o Hospital Provincial da Lunda-Sul, localizado em Saurimo com uma capacidade instalada de 150 camas e a Maternidade Provincial da Lunda Sul, localizada em Saurimo com uma capacidade instalada de 150 camas.

No Moxico, o Hospital Municipal do Camanongue na Província do Moxico com capacidade instalada de 70 camas; o Centro Ortopédico do Luena e o Serviço de Hemodiálise no Hospital Geral do Moxico, com 7 monitores para atender 42 doentes por semana.

No Namibe, noticiou-se o Hospital Geral N’gola Kimbanda, com uma capacidade instalada de 152 camas.

No Uíge, o Hospital Municipal do Quimbele, com capacidade instalada de 70 camas; o Hospital Municipal do Maquela do Zombo, com capacidade instalada de 70 camas; o Hospital Municipal do Catapa, com capacidade instalada de 90 camas; o Centro Ortopédico do Negaje e o Laboratório de Biologia Molecular do Uíge.
É preciso continuar?

Em quais destas unidades hospitalares “não há luvas nem seringas”? Há uma denúncia concreta ou está-se a fazer populismo na classe médica (e com que interesse)?

Nós nem sequer vamos buscar os dados estatísticos dos médicos inseridos na Função Pública, porque a nossa análise não é buscar “quantidades de médicos”, como tal, que podem não traduzir, na prática, “melhor serviço público de Saúde”. E temos provas de que as quantidades em Angola não traduzem necessariamente “qualidade”. As variáveis podem não ser directamente proporcionais, embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) exija uma quantidade de médicos estipulada, numa localidade, em função do número de pessoas que lá residem. E Angola tem de cumprir face aos compromissos internacionais. Mas isso são contas de outro Rosário.

De acordo com pesquisas feitas e fruto da nossa análise, a motivação real dos médicos para a insistência nessas manifestações de greve não se prendem, seguramente, com alegada falta de condições de trabalho (mostrámos dados acima, que foram noticiados). A não ser que alguém nos venha dizer que tudo isso que se noticiou, em termos de infra-estruturas, é mentira. E estamos também aqui para dizer o contrário (com factos e não com populismo das redes sociais).

Nós que vivemos em Luanda, pelo menos, pudemos ver com os nossos olhos o “antes” e o “depois” do Hospital Sanatório de Luanda. Não há seringa nem luvas naquela megalómana estrutura? Temos dúvidas. Denunciem!

Do nosso ponto de vista, a motivação dessa greve é o dinheiro (salário) e pressão política para alimentar narrativas de partidos na oposição, num período eleitoral, correpondendo ao que se chama “oportunismo”.

Os médicos mostram que querem ganhar muito mais do que ganham nas clínicas, justamente pelo “aumento de condições de trabalho nos hospitais públicos”, propiciado pelo Governo, e não o contrário, como eles publicitam, de forma enganosa (até que nos provem o contrário), nos cartazes.

Outrossim, se há falta de seringas e luvas, que médico já tirou do seu bolso um dinheiro para comprar as tais seringas e luvas em falta para salvar uma vida e depois reivindicou com provas? Resposta: nenhum. É por acaso?

Os médicos olham para a vida do próximo como prioridade na sua actuação ou abandalham os pacientes no hospital público, tendo um comportamento extremamente oposto nas várias clínicas onde trabalham?

A vida de quem vai à clínica é superior a de quem vai ao hospital público à procura de Saúde? As respostas são óbvias. Os nossos médicos, salvo excepções (raras excepções), podem ser considerados, até certo ponto, como “mercenários” (mostram maior empenho a quem paga mais, esquecendo-se, muitas vezes, do juramento de Hipócrates). Isso tem de ser dito publicamente. A nossa observação diz isso. Conseguem provar-nos o contrário na prática?

Repare que nos 14 pontos do caderno reivindicativo, ressalta-se a proposta salarial dos médicos: 2 milhões de kwanzas para o médico chefe de serviço. O Governo negociou para 1 milhão e 300 mil kwanzas; 1 milhão e 200 mil kwanzas para o médico de especialidade, o Governo fixou em 867 mil kwanzas.

E agora nós perguntamos: quanto ganham os professores, que formam os próprios médicos? Um médico tem mais valor que um professor?

Quanto ganha, por exemplo, o jornalista que usa a sua ferramenta de trabalho (informar) para salvar vidas também e manter o médico informado sobre a sua própria profissão?

Podíamos citar outras profissões com igual importância da Classe dos Médicos.

E por que sugerir, nos cartazes, “fora, ministra da Saúde”, se quem tem de decidir sobre o aumento salarial não é a ministra da Saúde, o que passa necessariamente pela decisão (visão) do Titular do Poder Executivo e com execução do Ministério das Finanças e do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social?

Fica muito claro perceber que essa greve dos médicos não tem nada a ver com “condições de trabalho” (luvas, seringas, etc.).

Há claramente um oportunismo político no ar para que os médicos sejam considerados os “deuses” da vida e para que tenham mais dinheiro que os outros profissionais da Função Pública, ignorando a importância das outras profissões que também servem para salvar vidas e não só.

Importa aqui sublinhar que não faz sentido pagar 2 milhões de kwanzas a um médico e pagar cerca de 200 mil kwanzas, por exemplo, a um professor universitário, que forma o próprio médico. Quanto ganha um Professor Doutor, um Mestre, um Licenciado ou mesmo um Técnico Médio, que ajudaram o médico a saber o que sabe desde que entrou na escola?

Se a lógica for essa, todo o mundo faz greve para aumento salarial e o país pára literalmente.

Pensamos que deve haver alguma humildade, honestidade intelectual e até mesmo Patriotismo na Classe dos Médicos para se perceber que o país não se faz apenas com os hospitais públicos e seus médicos. E é preciso fazer greve com dizeres que traduzam a realidade. Um médico não pode cair no populismo político. Chega a ser grave e faz-nos tirar várias ilações sobre a real qualidade técnica dos Médicos em Angola.

Continue Reading
Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Colunistas