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A voz do Cidadão

Jornalismo, manipulação e censura -Wylsony dos Santos

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Fruto do momento que atravessamos nos últimos dias, os jornalistas devem resistir e assumir uma corajosa atitude de denúncia de todas as tentativas de manipulação e instrumentalização na liberdade editorial dos órgãos de comunicação social.

Se um Juiz obedece a lei e a sua consciência para julgar. Os jornalistas obedecem aos ditames jornalísticos e a sua convicção para narrar factos, apenas factos.

A independência editorial é um valor sublime do jornalismo verdade. O direito de escrutinar o trabalho jornalístico não é absoluto, estamos de acordo. O que é completamente inadmissível é assistir uma concertação pública de sectores organizados da sociedade de como podem participar das decisões editorias de um órgão privado de comunicação, como se de uma reunião partidária se tratasse. Em democracia isso é inadmissível. É como nos colocássemos no direito de pilotar um avião, quando o coro dos passageiros a bordo diz que não gostou da aterragem da equipa de pilotagem, ou mesmo reclamar para nós o direito de participar como executores de uma cirurgia médica sem qualquer certificação para tal. Na generalidade os órgãos privados fazem a sua parte, mesmo diante da omissão do executivo relativamente aos subsídios consagrados na Lei de Imprensa.
O que acontece no nosso país é que há uma ausência deliberada do papel equilibrista dos órgãos públicos que compõem o sistema nacional de comunicação social. Ao invés de focar no serviço público, dedica-se horas e horas na reprodução de uma qualquer central de propaganda, e quando sobra algum espaço, tenta disputar audiência com os privados, que têm no seu ADN a lógica comercial.
Se a nossa principal referência pública não assume o seu verdadeiro papel, parece-me completamente injusto solicitar a um órgão privado, que, mesmo estando por lei sujeito a assegura a existência de um serviço público de informação, não recebe dotação orçamental e muito menos participa do negócio da publicidade institucional.

Se os manuais exigem aos meios de comunicação social públicos, o equilíbrio entre os interesses dos cidadãos e de quem governa, aos privados lhes é exigidos equilibro entre o interesse público e dos seus accionistas. A liberdade constrói-se também assim.

A democracia não só a realização periódica de eleições, ou seja, apenas votar de vez em quando. Os cidadãos têm direito a serem informados e de se informarem. E isso passa por um sistema de comunicação social público e privado, com espaços para todos os actores exprimirem as suas opiniões políticas, partidárias e religiosas.

A história de Angola já tem muitos silêncios, assistir impavidamente a tentativa de alienação e retrocessos de ganhos alcançados com a aprovação da primeira Lei Constitucional de 1992 no capítulo da liberdade de imprensa, é uma traição a classe. Defender a dignidade da profissão passa, como sempre, pela unidade dos bons profissionais! A censura prejudica a imprensa e a consolidação do estado democrático e de direito.

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