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Memórias

Jonas Savimbi: O Comunista que fintou ocidente – Diavita Jorge Alexandre

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JONAS SAVIMBI “Leopardo dos Jagas”: O COMUNISTA QUE FINTOU OCIDENTE – ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA E A ARQUITECTAÇÃO POLÍTICO-IDEOLÓGICA SUI GENERIS.

Jonas Savimbi perante esta situação tinha que mudar o «modus operandi», cultivou um relacionamento muito profundo com as entidades Eclesiásticas Protestante e Autoridades-Consuetudinárias (sobas), adoptando uma liderança «sui generis», moldada por vários aspectos ideológicos e culturais (Comunismo assente da doutrina Marxista-Leninista, Maoísmo, Socialismo-Africano: Ujama pregado pelo Julius Nyerere da União da Tanganica, Social-democracia e práticas consuetudinárias ortodoxa da cultura tradicional Bantu de Angola) e agravou na superestrutura das FALA e da UNITA o elemento étnico (Ovimbundo), acentuando desta forma, a divisão entre as elites religiosas e políticas ovimbundo e a perspectiva pregada pelos outros movimentos independentistas (MPLA e FNLA) em relação a luta de libertação nacional e total de Angola (vide, Linda Heywood, UNITA and ethnic nationalism in Angola: The Journal of Modern African Studies, n.º 27 (I), 1989, pp.47-66).

Segundo o co-fundador da UNITA e companheiro de longa estrada de Jonas Savimbi, desde a FNLA e GRAE, General Miguel N’zau Puna, advogou que, sendo Savimbi um bom politólogo, formado em Ciência Política na Suíça e na Academia Militar de Pequim, “ele próprio dava aulas de Marxismo-Leninismo em coabitação com o Maoísmo num centro de formação que ele mesmo implantou, decorado com grandes fotografias de Karl Marx, Friedrich Engels, Joseph Estaline, Vladímir I. Ulianov Lenine e Mao Tsé-Tung. E apresentava-se deste modo aos seus discípulos: Eu sou comunista, mas se algum de vocês for lá para fora divulgar isto, Eu vou gritar que é tudo mentira (Miguel N’zau Puna, Angola 20 Anos Depois In Jornal de Notícias, entrevista concedida ao Jornalista Luís Alberto Ferreira, Abril de 1994).

A Tentativa de Aproximação Política com Resultado Nulo

Os ataques formulados entre si debilitavam cada vez o teor e a acção da luta em prol da independência nacional e dos próprios movimentos independentistas. Com isto, Presidente Joseph Mobutu reagiu abertamente perante esta situação, promovendo encontros de entendimento entre os movimentos de libertação (FNLA, MPLA e UNITA), apesar da resistência mostrada por Holden Roberto, lançando ataques ferozes contra a UNITA num comunicado, perfilhando oficialmente a mesma posição o MPLA face à UNITA. Segundo Holden Roberto: “este (Savimbi, FALA/UNITA) que combateram ao lado dos portugueses durante a guerra colonial, não podiam ser considerados como um movimento de libertação nacional”. Os dirigentes do MPLA também assumiram a mesma posição, recusando as conversões com a UNITA, anulando a tese de conversações imediata proposto pelo Presidente Mobutu. Para o MPLA: “como uma organização que lutou ao lado das forças colonialistas (forças de Portugal-fascista) contra o seu próprio povo, o povo angolano, pode ser considerado movimento de libertação nacional? E, sempre atacou-nos, vitimando muitos companheiros e camaradas nossos, e perante tal realidade nós firmamos um Acordo com eles?”. Perante este fracasso de tentativa de aproximação, Presidente Mobutu engendrou outra vez forças no sentido de conseguir um outro Acordo, já agora entre a UNITA e a UPA/FNLA, que ficou marcado como as «Conversações de Kinshasa». Apesar de Holden Roberto, continuasse a mostrar reticências em relação ao Acordo, mas assinou o tratado de paz com a UNITA.

O MPLA, continuava grudado na mesma posição, uma posição de reserva em relação a esse Acordo e a tentativa de aproximação. A parte Portuguesa estava ansiosa neste cenário por resolver o problema angolano que cada dia tornava-se complicado e complexa, dado a existência das três forças nacionalistas que representavam, para além de filosofias de luta antagónicas, também mantinha muitas reservas e ressentimentos profundos. O MPLA defendia cada vez mais, que só aceitaria fazer parte destes Acordos, se os outros movimentos aceitassem lutar para a independência total e completa de Angola e sem imiscuição da vontade das forças imperialistas. O almirante Rosa Coutinho, empenhou-se no sentido de aproximar os movimentos de libertação para negociarem a questão da independência da Angola. E, foi na base aérea do Luso (Moxico) em que o Almirante Vermelho (Rosa Coutinho) mediou as conversações de cessar-fogo entre o MPLA e a UNITA. A parte da UNITA estava representada por Jonas Savimbi, Miguel N’zau Puna, Samuel Chiwale e outras figuras de proa das FALA e da UNITA. E a parte do MPLA estava representado por Kylamba Kyaxi (Agostinho Neto), Tchiweka (Lúcio Lara), Iko Carreira (Henriques Teles Carreira), Comandante Monstro Imortal (Jacob João Caetano) e Comandante Ludy (Rodrigues João Lopes). MPLA acordou reconhecer a UNITA com uma condição, esta se esta organização comprometer-se a lutar por todos os meios pela independência real do país.

A partir, principalmente de 1961 e posteriormente os acontecimentos de 4 de Fevereiro e 15 de Março, o problema colonial levantado pelos movimentos nacionalistas em Angola tinha atingido a dimensão internacional, despertando deste modo a atenção dos grandes actores da política mundial (EUA e a URSS). A grande ajuda para esta internacionalização veio da influência dos países africano já emancipados que acabavam de ser admitidos nas Nações Unidas como membros de pleno direito. E, os nacionalistas angolanos tiveram sempre a máxima preocupação de se projectarem internacionalmente em busca de apoios externos e a esse propósito a Libéria tinha conseguido colocar na agenda da Assembleia-Geral da ONU a discussão da situação em Angola, alegando que constituía uma ameaça à paz internacional. A Ingerência Externa: The Big Boyz in Political Game. Os problemas de Angola no Conselho de Segurança da ONU, ficava condicionada pela influência das grandes potências (Estados Unidos e a União Soviética), que no seu confronto ideológico tinham visões opostas sobre a situação colonial em Angola, tratando o problema do ponto de vista dos seus interesses nacionais. E, foi importante neste condicionamento o factor Guerra-Fria liderada por ambas as potências. Os Estados Unidos tinham sempre, desde o início da resistência colonial o apoio à FNLA e a próprio Holden Roberto que em 1961 resultou nas acções de 15 de Março, a vaga de massacres indiscriminado no Norte de Angola, revelando falhas de compromissos e posições que denunciavam uma insuficiência de informações e ausência de sensibilidade para a problemática africana por parte dos EUA.

O Jornal New York Times de 20 de Dezembro de 1975, com base na tese de matérias confidenciais de Altos-funcionários da Center Inteligence Agency (CIA) e o Departamento de Estado Norte Americano, escreveu o seguinte em relação à FNLA e a UNITA “(…) desde 1961 que Holden Roberto, chefe da UPA/FNLA é agente da CIA a troco de um salário anual de 10.000 Usd, pagos para receber e transmitir informações. Em Janeiro de 1975, o Comité dos 40, Presidido por Henry Kissinger, deu um montante equivalente a 300.000 Usd a UPA/FNLA para que este pudesse combater o MPLA. Facto ocorrido também com a UNITA de Jonas Malheiro Savimbi por intermédio da Zâmbia de Kenneth Kaunda e Zaire do Joseph Mobutu”. Tendo em conta a esta realidade e a mudança dos peões no xadrez político internacional e a lógica da Guerra-fria, Administração Norte-americana, redireccionou os esforços de apoios que eram concedidos aos nacionalistas da UPA/FNLA, fora mais tarde transferidos para a UNITA, influenciaram também os Governos vizinhos de Angola e outros que estavam sob sua tutoria, a tomarem a mesma posição da recanalização das ajudas (Zaire/Mobutu, África do Sul/Pik Botha, Namíbia/Ian Smith, Zâmbia/Kenneth Kaunda). MPLA, perante esta realidade estava isolado e desprotegido, a União Soviética face a esta situação, não hesitou em apostar o apoio à MPLA e mobilizando todos os países do Bloco Socialista á apoiarem até à derrota de todos os outros movimentos independentistas rivais, o que veio revelar da parte do EUA claras fragilidades e hesitações relativamente a sua investidura externa em Angola.

O impacto da política externa norte-americana ao apoiar sucessivamente aos nacionalistas da FNLA e da UNITA e a Rússia ao MPLA, teve um papel significativo na mudança de paradigmas de imposição por parte destas forças. Os Estados Unidos, a sua acção interventiva nas questões angolana, intensificou-se no final da década de 1960, mas a linha orientadora dessa acção vinha já desde décadas anteriores. A intensificar da intervenção dos EUA, foi mais na medida em que começavam por parte dos Estados Unidos, a medir o grau da sua intervenção em função do envolvimento de outras potências no cenário da guerra em Angola. Com isso, após a ONU aprovar a Resolução em 1962 sobre a descolonização de Angola, os Estados Unidos através desta Resolução alargou o seu apoio à UNITA e FNLA (reactivando), fornecendo armas e outras matérias de guerra.

A Administração Kennedy aprovou um programa com pacote de ajudas económico-financeira que contava com os sectores da educação-formação nas Universidades americanas para angolanos exilados nos EUA que tinham ligações com a UNITA e FNLA, como intensificou ajuda financeira para os refugiados angolano no Congo-Léopoldville que posteriormente chamar-se-ia Congo-Kinshasa, depois da expulsão do Corpo Voluntário Angolano de Assistência aos Refugiados (CVAAR), organismo humanitário do MPLA que trabalhava junto dos imigrados angolanos, a vaga deixada depois da sua expulsão pelo governo de Cyrille Adoula, proibindo MPLA de ficar no solo Congolês (Léopolville-Kinshasa) e fazer transitar homens e material bélico, portanto, efectuar qualquer trabalho político para a libertação da pátria angolana, possibilitou, esta monção política, à fortificação e expansão da organização do Holden Roberto, e o financiamento norte-americano ajudou ainda mais a sua afirmação. Holden agradeceu e abraçou desde a primeira hora, como também Jonas Savimbi que beneficiou da mesma política norte-americana de apadrinhamento. Perante tal facto, a URSS e os países do Bloco Socialista adoptaram mesmo processo e procedimento ao MPLA, abrindo as portas das suas Universidades para formação de um número considerável de quadros do MPLA, como também, canal de financiamento para as actividades político-militar. Esta acção interventiva ia desde, o fornecimentos de materiais bélicos pesado e ligeiro ao braço armado do MPLA, o EPLA que posteriormente veio dar corpo as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) já depois da proclamação da independência nacional, em 11 de Novembro de 1975, como também, a formação técnica nas outras áreas administrativas que seria útil para administração do Estado pós o processo de descolonização, ou seja, a independência nacional. Uma das áreas que mereceu maior destaque para o MPLA foi, a área militar, que foi reforçado com instrutores cubanos (os internacionalistas) que combateram conjuntamente com as FAPLA contra os outros movimentos nacionalistas adversário (FNLA e UNITA e os seus aliados externos) na lógica de «gunned down game», que possibilitaria a expansão e apoderamento territorial a luz das farpas de imposição político-ideológica imperado na altura, com anuência dos dois gigantes da política internacional: Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialista Soviética (URSS).