Politica
João Lourenço reconsidera e aceita normalizar relações com Governo gabonês
Quando o actual Chefe de Estado do Gabão tomou o poder naquele país por via de um golpe de Estado em 2023, o Presidente angolano reagiu de forma contundente. Apelou à ONU para que deixasse de receber no seu espaço líderes golpistas, e, igual a outros, teve as digitais na suspensão do Gabão da CEEAC e da União Africana. Além disso, João Lourenço foi rejeitando manter qualquer encontro com o referido líder golpista.
O general e actual presidente do Gabão, Brice Clotaire Oligui Nguema, parece estar a respirar de alívio, face ao novo normal nas relações com o Presidente angolano e da União Africana.
É que por cerca de dois anos, João Lourenço tudo fez para isolar o Gabão em resposta a tomada de poder por via inconstitucional.
Em 2023, o general gabonês Brice Clotaire Oligui Nguema liderou um golpe de Estado que depôs Ali Bongo Odimba.
E como resposta a essa acção fora do quadro constitucional, o mundo, desde democratas, autocratas e ditadores, reagiram condenando, e apelando a entrega do poder aos civis. A Organização das Nações Unidas entrou no mesmo coro.
Porém, para Angola e seu Presidente, essas demarches eram insuficientes, tendo João Lourenço manifestado mesmo essa insatisfação em diferentes palcos internacionais.
Durante o seu discurso na 37° Cimeira da União Africana, João Lourenço apelou para que não se tolerasse acções de golpes de Estado, sublinhando não haver golpes bons.
“Não há golpes de Estado que possam ser considerados bons, menos maus ou toleráveis, já que todos eles atentam gravemente contra os princípios defendidos pela União Africana, a Constituição e a Lei dos Estados membros, facto que constitui um retrocesso para África”, afirmou peremptório o Presidente João Lourenço.
O Chefe de Estado angolano partilhou essa mesma visão na ONU, bem como na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo do Grupo 77+China.
Além disso, impulsinou a aplicações de sanções contra o Gabão.
O presidente gabonês envidou esforços para que fosse recebido por João Lourenço, visando esclarecer seus objectivos, mas não obtinha sucessos.
Em Novembro de 2023, na ocasião das celebrações dos 48 anos de independência de Angola, a Embaixada de Angola no Gabão realizou um evento comemorativo a propósito, mas não convidou as autoridades gabonesas, o que levou o Gabão a protestar, e a acusar o Governo angolano de olhar para o país com desprezo.
Entretanto, João Lourenço acabou agora por reconsiderar a situação do Gabão, como consequência da realização de eleição presidencial que elegeu Brice Oligui Nguema, líder da junta militar, com mais de 90% dos votos.
Portanto, foi esse passo rumo à normalização democrática que levou João Lourenço a aceitar iniciar relações com Brice Oligui Nguema, bem como a orientar a União Africana a levantar as sanções então aplicadas.
